O banho na tradição japonesa, segundo historiadores, antes de ser uma necessidade higiênica, era um ritual de purificação espiritual. A origem desse ritual altamente sofisticado, foi através do Shintô, uma religião original do Japão, que cultua o sagrado na natureza, enfatizando primordialmente a purificação. Segundo o costume, a imersão em uma fonte termal era um ato de limpeza religiosa e, ao mesmo tempo, um momento para contemplar as forças elementares do Universo, com a ajuda da meditação induzida pelo banho.
O primeiro ato de purificação com água é descrito no Kojiki, o mais antigo livro japonês, onde o mitológico deus Izanagui (equivalente a energia Yin em chinês), após visitar sua falecida companheira deusa Izanami (equivalente a energia Yang em chinês), tomou um banho purificador (mizogui) e quando lavava o olho esquerdo nasceu Amaterassu no Mikoto (deusa-Sol) a principal divindade do Japão, do olho direito nasceu Tsukiyoni (deus-Lua), e do nariz Suzano no Mikoto (deus-Tempestade).
Assim, o fato da deusa Amaterassu, a padroeira do Japão e ancestral da família imperial, ter sido criada durante um banho, tornou o ato de banhar-se a alma da tradição de beleza japonesa. Tudo se completa nesse ato. Integrando no ritual do banho, cuidados para com o rosto, cabelo e corpo, a renovação do espírito, o relaxamento mental e a harmonização interior.
O prazer do momento, a sensação da ausência de tempo e os poderes do calor da água do banho, são interpretados pelos historiadores como um período pré-natal. Então, eles justificam que o homem criou o ofurô como um meio de transportar para dentro de casa essa experiência ‘‘divina’’.

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