O peso político-eleitoral da Zona Norte, a cidade inteira conhece. Ficou célebre a virada de Antônio Belinati sobre José Tavares nas eleições para prefeito em 1988, quando as urnas da região foram abertas na reta final da apuração.
Era a demonstração de que os moradores ainda ligavam o nome do político à principal fronteira habitacional aberta na cidade a partir dos últimos anos da década de 70. Belinati chegou a morar no Cinco Conjuntos e a usar o transporte coletivo para vincular ainda mais fortemente seu nome à comunidade local.
Outras lideranças foram surgindo com a consolidação da viabilidade econômica da nova e populosa região. Em duas décadas e meia de história, a Zona Norte elegeu pelo menos três vereadores que a ajudaram a continuar com destaque no jogo político municipal. O primeiro foi Deolino Basseto, depois vieram Leonilson Jaqueta (PMDB) e Orlando Bonilha (PL). Os dois últimos continuam representando a região na Câmara Municipal.
Não parece ser coincidência o fato de que os três comandavam atividades comerciais importantes. O primeiro era dono do conhecido Supermercado Basseto, um estabelecimento que chegou a ser um ponto de encontro na Avenida Saul Elkind, o segundo é dono de uma distribuidora de gás, e o terceiro foi dono de açougue e hoje é presidente da Câmara.
Se reconhecendo como uma força importante na comunidade, os comerciantes da região decidiram inovar. Em 1991, a contragosto da Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), segundo seus atuais líderes, foi criada a Associação dos Comerciantes e Industriais da Região Norte (Acirenor).
São 80 associados, grande parte pequenos empresários, que mantém, às duras penas, a entidade presidida por José Lauro, comandante de uma rede de lojas de calçados que abriu uma filial na Avenida Saul Elkind (via que concentra muitas filiais de estabelecimentos da área central).
O vice-presidente da Acirenor é Antônio Arruda Pântano, 59 anos. Ele mora na área central, mas diz que ''adora a Zona Norte''. Foi um dos pioneiros da Saul Elkind, onde construiu um sobrado comercial no final dos anos 70. Pântano tentou vários ramos. Atualmente, vende doces no atacado. ''Aluguei a sobreloja porque no início era tudo muito difícil para um morador: barro ou poeira, transporte deficiente, falta de opção para comprar as coisas''.
Ele lembra que na época era comum as pessoas dizerem: ''Isto aqui nunca vai dar certo''. O comerciante foi persistente e conseguiu prosperar até que o asfalto, os ônibus, a escola, postos de saúde, hospital e os colegas também se instalassem nas vizinhanças.
Hoje, ele analisa o mercado e diz que em alguns pontos da avenida o valor do metro quadrado rivaliza com o Shopping Catuaí e com a Avenida Higienópolis. Como todo líder ele não deixa de reivindicar: a primeira é um apoio mais específico aos pequenos empreendedores da região.
O segundo é um pedido mais ousado. Pântano reivindica a transformação da Saul Elkind em um corredor comercial elegante e bonito, em sintonia com o valor dos terrenos. O vice-presidente quer que a administração municipal dê início à revitalização da via com a melhoria do asfalto, da iluminação e das luminárias e com a formação de jardins floridos nos canteiros. ''Aquilo ia ficar uma beleza'', aposta.

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