Aproveitando um conjunto de armazéns, da década de 40, na Rua Paraíba, em Londrina, a construção de um night club seguiu a tendência mundial em projetos arquitetônicos para restauração e reforma de antigos espaços: a preocupação em resguardar e preservar um pouco da história da comunidade. Os antigos galpões, com área total de 600 m2, onde está agora instalado o Empório Guimarães, foram construídos na época em que Londrina despontava como a capital mundial do café.
O italiano Alessandro Crostarosa, responsável pelo projeto arquitetônico de reforma do novo espaço, argumenta que não existe conceito mais moderno do que o de poder resgatar valores históricos e plásticos. Segundo ele, a reciclagem de prédios antigos é uma tendência das grandes cidades da Europa e dos Estados Unidos há mais de 20 anos. Crostarosa usa como exemplo a utilização de grandes espaços antigos, da cidade de Nova York, transformados em ateliês, centro de lazer e até para a moradia, principalmente de artistas plásticos. ‘‘A reciclagem muda a destinação de uso, mas preserva algumas características do projeto original. Há, sobretudo, um resgate de valores sem desvirtualizar a essência da obra’’, completa.
No projeto de reforma e recuperação dos armazéns para a construção do Empório Guimarães, todo o reboco foi descascado para desvendar os tijolos originais. Também foram preservados a cobertura de madeira maciça (peroba) e o lanternim (telhados de duas águas que permitem a entrada de luz). O ar de modernidade ficou por conta da inclusão, no projeto arquitetônico, de espaços interligados para, de acordo com Crostarosa, ‘‘quebrar a frieza e dar movimento à obra’’.
A reciclagem de espaços em antigas construções é vista, pelo arquiteto e professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Antônio Carlos Zane, como forma de revitalizar áreas já deterioradas na cidade. ‘‘Através desses prédios reciclados pode-se manter uma imagem da cidade através das décadas’’. Como exemplo, ele cita também o prédio da antiga Ferroviária de Londrina, que atualmente dá espaço para o Museu Padre Carlos Weiss. ‘‘Com a reciclagem se dá vida e, ao mesmo tempo, não se perde parte da história’’, diz Zane.
Patrimônio A construção dos armazéns da rua Paraíba é da família do pioneiro Michel Curi Sahião. Ele lembra que, quando chegou a Londrina, em 1936, aquela rua era um dos extremos da cidade. ‘‘Era a última rua e estava muito próxima da mata virgem’’. E foi dessa mata que os construtores extraíram a peroba para a estrutura da obra. A areia, segundo ele, veio do rio Paranapanema e o restante do material, teve que vir do estado de São Paulo. Para Sahião, a reforma que transformou o conjunto de armazéns em casa noturna, recuperou e valorizou a obra como patrimônio da cidade.

mockup