Quando o aproveitamento de roupas usadas e pedaços de retalhos de tecidos se tornam arte. Talvez esse seja o significado do patchwork, cuja origem é desconhecida. Trabalhos feitos no Egito, no século IX a.C., combinaram criatividade com reciclagem, e atualmente são verdadeiros documentos históricos.
Dizem os antigos que uma peça de patchwork era fundamental no enxoval das moças. Por ela, o futuro marido poderia avaliar o primor, o capricho, o dom da futura esposa. As técnicas atravessaram gerações, séculos, milênios. Tecidos e estilos exóticos foram incorporados, máquinas de costura e ferramentas modernas facilitaram a sua execução.
Mas o fundamental é que o belo mosaico de tecidos não perdeu a característica artesanal e rústica de suas peças. E, além da utilidade e do aconchego, enfeitam cozinhas, quartos, banheiros, ou onde mais a criatividade o colocar.
O trabalho do patchwork, segundo a artesã Nanci Fenner, tem também um importante papel social. Nanci é educadora social e coordenadora do Projeto de Oficinas Pedagógicas (POP) da Secretaria de Ação Social de Londrina. Ela ensina que as peças podem servir como complemento da renda familiar de famílias carentes.
Foi a partir dessa idéia que Nancy se aperfeiçoou na arte de unir retalhos. Ela já orientou grupos de mulheres que integram a Associação de Trabalhadoras Artesanais de Londrina (Atal) e adolescentes atendidos pelo POP.
A produção de uma peça, segundo a artesã, demanda cuidados que se iniciam a partir da escolha dos tecidos que serão utilizados. Uma regra é que eles possuam a mesma trama (algodão, brim, forração). Já a receita básica para a confecção dos quadros é a união de tecidos liso, listrado, xadrez e floral. ‘‘É o modelo clássico, mas não há como errar’’, explica.
Outra orientação dada por Nancy é a elaboração de moldes dos desenhos para o corte e a costura dos tecidos. ‘‘O molde evita desperdícios e erros na hora das emendas’’, justifica.
A técnica de trabalho, de acordo com a artesã, envolve também vários estilos, como o americano que se destacou pela aplicação de desenhos, ou o indiano cujos motivos são feitos através de desenhos bordados sobre o tecido. ‘‘Hoje não vejo uma forma exclusiva de trabalho, mas uma mistura de estilos’’. Nancy não esconde sua preferência pelo ‘‘crazy’’, que, segundo ela permite extravasar a criatividade e aproveitar ‘‘qualquer pedaço de pano’’. Os motivos são loucos – como o próprio nome diz. Os tecidos são unidos de forma aleatória, sem a preocupação de combinar tamanhos ou formas. O destaque está nas bordaduras feitas por cima das costuras ou dos quadros.
Quando o assunto é o acabamento artesanal da peça, ‘‘a palavra de ordem é a criatividade’’, opina Nancy. A técnica mais usual, segundo ela é através do quilting. Os pontos, que se assemelham a um alinhavo e são feitos preferencialmente à mão, garantem o acolchoamento do trabalho, a elaboração de novos desenhos – como os arabescos, a aplicação de estampas e o acabamento da peça. Além do quilting, a fixação de grandes áreas pode ser feita com os nozinhos japoneses ou mesmo com botões. Outra dica é preencher os espaços dos tecidos lisos abusando do bordado, das lantejoulas e pedrarias.

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