Em tempos de responsabilidade ambiental, a construção civil tornou-se um campo fértil de soluções recicláveis. Um exemplo que está se tornando comum hoje em dia é o reaproveitamento do madeiramento de casas antigas demolidas. Nesta história, todos os lados ganham desde construtores, que podem recorrer a métodos mais baratos, até empresas que focam no ramo de demolição e reaproveitamento da madeira e das peças de acabamento dos imóveis.
Assim procedeu o casal Nina de Oliveira Padilha e Fábio Alves da Cunha quando inspiraram o projeto de sua casa nova na arquitetura de uma tulha de madeira. Típicas dos tempos do Eldorado do Café paranaense, as tulhas serviam como depósitos do ''ouro verde'' por serem espaçosas e arejadas. Por isso, a distância entre o piso e o teto - conhecido como 'pé-direito' - tem oito metros de altura. Na construção do alicerce, paredes e telhado, eles optaram por alvenaria nova, porém os detalhes pediam um toque de rusticidade.
''Desde a concepção, minha proposta foi de fazer um ambiente amplo. Mas eu também precisava gastar menos na hora do acabamento. Por isso, aliei com algo rústico para não ficar oneroso'', define Cunha. Se comparado ao gasto com peças de acabamento novas, ele economizou 60% da etapa final - a mais cara da construção civil. Em cerca de 10% do imóvel como janelas, escadas e o piso de tacos foram utilizados os restaurados.
De olho nos consumidores com o perfil dos Cunha, há 6 anos Alexandre Morasse descobriu um negócio - o mercado de demolições. Desmanchar casas e barracões antigos em madeira na cidade e zona rural, restaurar partes que não estão castigadas pelo tempo e vender para quem pensa em construir com reaproveitáveis, principalmente a madeira, é hoje seu foco de atuação.
''O beneficiamento da madeira é artesanal. Para transformar é preciso tirar os pregos e separar o que está podre daquilo que pode ser reutilizado'', explica. A construção de deques para piscinas, assoalhos e fachadas de casas privilegiam a aplicação dos restaurados.
Mas o filão mais interessante é o de materiais usados no acabamento. Janelas de madeira e metal, escadas, louças de banheiro, ferragens, cantoneiras e vigas depois de tratadas são os recordistas de procura. ''Dá para pagar um terço do preço novo'', compara Morasse. Dentre os exemplos, elenca o vitrô reciclado que custa R$ 35,00, contra R$ 150 reais novo, e um jogo de banheiro (vaso sanitário, bidê e pia) que na loja custam mais de R$ 100 reais, e lá não passam de R$ 35,00.
Sua equipe de demolidores consegue atender uma demanda de 20 imóveis por mês. O preço varia entre R$ 500 e R$ 7 mil por casa, dependendo de seu tamanho e estado de conservação. ''Em alguns casos eu cobro mais porque não dá para reaproveitar muita coisa'', completa.
Morasse é pioneiro no ramo e, segundo conta, há espaço para todo mundo atuar no mercado. ''Há uns 10 depósitos especializados na cidade'', completa. Ele atua em Londrina e região, mas já foi procurado por empresas de Minas Gerais e São Paulo, que produzem móveis rústicos a partir de madeira restaurada. ''Isso está em evidência, mas o segredo é atender o cliente sob encomenda. Não o contrário, vender a minha necessidade. Se quiser atender bem, tem que ser assim'', acredita.

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