A construção civil cresceu, só do primeiro trimestre de 2010 ao mesmo período de 2011, 118% em relação ao número de lançamentos. Lançados ou não, 2.839 alvarás foram concluídos nesses primeiros três meses, um aumento de 33% sobre o primeiro trimestre do ano passado. Outros 5.385 alvarás foram liberados para construção entre janeiro, fevereiro e março.
Estes números mostram a evolução da construção civil na capital paranaense ao mesmo tempo em que fazem crescer a preocupação com fator diretamente relacionado aos canteiros de obras: o resíduo da construção civil.
''Quanto mais obra, mais resíduo. Mas há um lado positivo nisso que é a existência de um Plano de Nacional de Resíduos Sólidos, que dá a destinação adequada para estes resíduos'', comenta o vice-presidente do Sinduscon-PR (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná) na área de Meio Ambiente, Almir Perro.
Ele explica que, no setor de construção civil, o plano significa que as construtoras são obrigadas a criar um programa de gerenciamento de resíduos sólidos, fazer sua separação já nos canteiros de obras e dar a destinação correta por meio de uma empresa terceirizada.
''Essa exigência existe até para que seja concedido o Habite-se a esta obra. O sindicato tem incentivado os associados a implantar o plano nacional e a destinar seus resíduos corretamente'', afirma Perro.
Entre as empresas que dão destinação aos resíduos, um negócio que oferece diversas vantagens ao próprio gerador e ao meio ambiente é a usina de reciclagem de resíduos da construção civil. ''É um mercado que vai crescer muito. As empresas cada vez mais estão conscientes de suas obrigações.''
Os resíduos classificados como da classe ''A'' gerados na Região Metropolitana de Curitiba (RMC) receberam, este mês, uma usina para reciclagem na cidade de Almirante Tamandaré.
A Usina de Recicláveis Sólidos Paraná (Usipar) foi inaugurada com capacidade inicial de reciclagem de 8 toneladas/mês de restos de material cerâmico, concreto e argamassa, por exemplo - a chamada caliça da construção.
Este material é separado de acordo com sua classificação, triturado e transformado em areia, brita, pedrisco e rachão, que podem então voltar à construção civil para novo uso com custo 25% menor. ''Esses materiais podem voltar para a obra mas não podem servir de material estrutural'', alerta o gerente. A aplicação na construção inclui, por exemplo, em pisos, chapiscos e concreto não-estrutural. O metro cúbico custa de R$ 16 a R$ 35.
A usina recebe resíduos de pessoas físicas e jurídicas, informa o gerente, Alexandre Graeser Blaszezyk, por meio de caçambas de 5 metros cúbicos e caminhões de 12 metros cúbicos. Um analista de valores verifica a qualidade do material e calcula o valor a ser pago para o despejo na Usina, que pode variar de R$ 25 a R$ 550 para caçambas e de R$ 80 a R$ 250 para caminhões.
Benefícios
Para pessoas físicas, a empresa pode fazer a destinação de materiais recicláveis do resto de obras. ''A gente prensa e repassa para o pessoal da reciclagem'', explica Blaszezyk. O rejeito é destinado a aterros industriais.
A reciclagem do material representa preservação de recursos naturais minimizando a extração em areais e pedreiras. Sem contar a prevenção do despejo de resíduos em áreas impróprias.
Para a construtora, é mais uma opção para a correta destinação dos resíduos, evitando o risco de multas e uma alternativa mais barata de uso de materiais de construção, com o valor agregado de ser ambientalmente correta.

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