Reciclar entulho de obra e transformá-lo em blocos de concreto, argamassa, contrapiso e base para pavimentação é algo perfeitamente viável. O processo tem o aval da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que define parâmetros de qualidade dos agregados reciclados. A Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP), órgão técnico do setor cimenteiro, há alguns anos desenvolve programas e sistemas para incentivar construtoras a reduzir a geração de entulhos.
A reciclagem atende à resolução do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) que busca reduzir os impactos ambientais resultantes do lixo na construção civil e preservar os recursos naturais. De acordo com a resolução, as construtoras devem apresentar, junto com o projeto arquitetônico e de engenharia, um programa de gerenciamento de resíduos sólidos, determinando a quantidade, a qualidade do entulho e onde ele será depositado. Além disso, elas passam a ser responsáveis pela destinação do lixo gerado, sendo penalizadas com multas se o entulho for depositado em local inadequado.
Mesmo antes da lei entrar em vigor, muitas construtoras já haviam constatado que o entulho no canteiro de obra é sinal de desperdício. Para amenizar o problema, o Sindicato Nacional da Construção Civil (Sinduscon) e representantes da cadeia produtiva formataram uma cartilha para orientar as construtoras quanto à destinação do entulho. Essa também tem sido uma preocupação da ABCP, que desenvolve sistemas construtivos visando à redução dessas sobras.
De acordo com o gerente do Projeto Indústria da ABCP, Cláudio Oliveira, a falta de planejamento na obra e a ausência de normalização dos materiais de construção são agravantes para a geração de entulhos. ''Paredes irregulares, por exemplo, são as principais responsáveis pelo gasto excessivo de materiais, como argamassa, blocos e tijolos'', explica.
Segundo ele, com um metro cúbico de entulho reciclado é possível fabricar 227 blocos de concreto; com cinco metros, se ergue uma casa popular. Para obras de edificações mais limpas, a ABCP indica sistemas de alvenaria estrutural com blocos de concreto, paredes monolíticas e pré-fabricados para estruturas e fachadas, em que a utilização dos materiais é racionalizada.

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