Para o arquiteto Clóvis Bohrer, a arquitetura do futuro será fundamentada em três pilares: responsabilidade social, ambiental e econômica. Dentro deste conceito estará em pauta, por exemplo, a racionalizadação da obra, desde a maneira de conceber o projeto até o final da construção. ''A racionalização passa pela gestão e construção, analisa-se como o projeto será executado, os índices de desempenho, quanto vai custar, que tipo de material será usado'', frisou.
Examina-se, entre outros detalhes, o conforto ambiental do empreendimento, que pode gerar redução de gastos com energia. Segundo o arquiteto, dentro da racionalização, planeja-se a orientação de salas e quartos, por exemplo, para ver a incidência do sol: em regiões mais frias é interessante a face voltada para o sol, em lugares mais quentes, nem tanto. ''São soluções simples que podem diminuir os gastos de energia'', pontuou Bohrer.
Outro ponto que deverá ser fortalecido daqui pra frente, segundo ele, é a industrialização: transferir atividades do canteiro de obras para a indústria, como a construção de caixa d'água, portas, painéis de vedação. ''A tendência é termos menos perdas, menos entulhos, e mais agilidade e rapidez na construção'', disse o arquiteto. E, cada vez mais, as construções priorização tecnologias para reaproveitamento da água de chuva, racionalização de energias - com os painéis solares - criando-se a cultura da sustentabilidade. ''No futuro isso será ainda ainda mais forte. Quando alguém for comprar um apartamento vai avaliar questões de sustentabilidade'', ponderou.
A arquiteta Elizabeth Fukuda acrescenta que a arquitetura do futuro estará baseada em três ''erres'' e três ''es': renovação, reparação e restauração; ecologia, economia e eficiência. Os projetos, segundo ela, vão priorizar a orientação solar, a drenagem natural e vão obedecer as depressões do terreno para que a irrigação flua normalmente. ''A ecologia, nesse caso, vai levar à economia e à eficiência'', adiantou.
Segundo a arquiteta, também serão usados materiais construtivos ainda mais ecologicamente corretos, como ''telhas verdes'' para armazenagem de água, além de equipamentos como turbinas eólicas para gerar energia e biodigestores. ''Haverá uma busca pela integração com áreas verdes e materiais que possam ajudar a diminuir as agressões ao meio ambiente'', ressaltou.
No que diz respeito à tecnologia, Elizabeth acredita que tudo será possível, inclusive uma casa totalmente comandada por voz, tudo dependerá do interesse da pessoa e de quanto ela está disposta a pagar. ''Não consigo ver limites para a tecnologia'', disse. Em Londrina, será comum ver casas que possam ser adiministradas por um controle de mão, cujo morador poderá acioná-lo para aquecer a água da banheira ou acender a luz de determinado cômodo mesmo longe do local. (E.Z.)

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