Queda nos juros pode aumentar procura por imóveis
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sábado, 08 de abril de 2006
Fernanda Mazzini<br>Reportagem Local 
A sinalização de que os juros básicos da economia brasileira - atualmente em 16,5% - irão baixar pode fazer com que a atenção de mais investidores se volte para os imóveis. Tido como um bem de raiz - casas, apartamentos, salas comerciais e barracões - garantem ao comprador um rendimento mensal, além da sua valorização. Fontes ouvidas pela Folha dizem que os juros altos 'seguraram' o dinheiro dos investidores no mercado financeiro e, consequentemente, o preço dos imóveis baixou. Agora, esse mercado volta a reagir.
O argumento dos economistas é que o investimento em imóveis tem mais solidez, ao contrário das aplicações no mercado financeiro, que são mais sujeitas às intempéries da economia. ''Além do rendimento que o imóvel oferece, ainda tem a valorização do bem'', explica o economista Renato Pianowski de Moraes, professor da Universidade Estadual de Londrina (UEL). O economista Ismael Mologni acrescenta que o imóvel pode até garantir menos renda, mas ''nunca irá se perder''. ''Já o dinheiro no mercado financeiro é mais volátil, pode se perder se o banco quebrar ou se vier a moratória'', afirma.
Pianowski explica que imóveis com valor mais alto (na casa de R$ 1 milhão) estão mais sujeitos à depreciação; enquanto bens mais baratos (entre R$ 30 mil e R$ 50 mil) tendem a se valorizar mais; e imóveis de preço médio (de R$ 60 mil a R$ 200 mil) podem manter o investimento ou até valorizar um pouco. Os aluguéis trazem pouco retorno. O primeiro mês pago pelo inquilino fica com a imobiliária; o segundo vai para a taxa de administração; e o terceiro é destinado para o pagamento do IPTU. ''Vão sobrar nove meses de aluguel, só que o imóvel é reserva de valor e oferece renda. Na aplicação financeira o investidor só tem o dinheiro e, em alguns casos, a inflação pode corroer o rendimento'', avalia.
No entanto, imóvel não pode ser encarado como sinônimo de liquidez. É investimento seguro. Se o proprietário tiver pressa na venda, fatalmente, perderá dinheiro. ''Em Londrina já falta produto para os investidores. O brasileiro tem perfil conservador e prefere investir em imóveis ou na poupança'', comenta o imobiliarista Raul Fulgêncio.
Investimentos - Na avaliação de Ismael Mologni, os barracões para fins comerciais com boas vias de acesso, garantem bons rendimentos. Aluguel comercial, no centro, também é recomendável, mas o ponto da sua instalação deve ser avaliado. ''Apartamentos são bons investimentos, só que depois que o inquilino desocupa o imóvel o proprietário vai gastar um ano de aluguel para arrumar o imóvel'', comenta. Segundo ele, apartamentos têm locação mais fácil, mas é preciso investir em um determinado nicho. Uma sugestão são as quitinetes destinadas a estudantes.
Apartamentos na planta também são considerados bons investimentos, com retorno certo. ''Durante a construção, o imóvel é corrigido pelo INCC (Índice Nacional da Construção Civil) e, depois que está pronto, a correção é definida pelo mercado'', explica Raul Fulgêncio. Salas comerciais também são tidas como mais vantajosas para investimentos pelos economistas. A explicação é a Lei do Inquilinato, que protege aluguéis residenciais. ''Londrina é uma cidade convergente porque atrai investimentos de toda a região'', comenta Ismael Mologni.
No entanto, terrenos não são tidos como bons investimentos. A compra é vantajosa apenas para quem deseja construir no local. Além de não gerar renda, a alíquota do Imposto Predial Urbano (IPU) aumenta a cada dois anos e pode equivaler entre 3% e 8% do valor do bem. Já a taxa de correção do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) é de 1% sobre o valor do imóvel.


