Quase tudo pode ser reciclado
Célia Baroni
Quem não tiver paciência de garimpar móveis e investir na sua recuperação, uma ótima opção é a marcenaria do Lar Anália Franco, no aeroporto (zona leste). Os móveis apresentados na primeira exposição da entidade, no espaço de eventos do Shopping Catuaí, mostram que não falta criatividade nem qualidade à equipe do Lar.
Hoje a nossa marcenaria é uma oficina de formação profissional e os móveis reciclados representam uma fonte de renda importante para a instituição, afirma Celi Romero, organizadora do evento. A instituição presta assistência a mais de 300 crianças em regime de casas lares (sete), creche e acompanhamento escolar.
A marcenaria da instituição funciona há vários anos e vive da doação de móveis que são recuperados para uso próprio ou colocados à venda. A equipe é formada por um marceneiro, um projetista e aprendizes jovens ligados a instituição.
Celi Romero explica que a maioria dos móveis que chegam até a instituição estão em situação precária e muitos não podem ser recuperados. Nestes casos, as partes boas são reaproveitadas na fabricação de novos móveis. Ela trabalha junto a equipe da marcenaria atuando como projetista.
Sempre que o móvel pode ser reciclado, sua linha e desenho original são respeitados envolvendo um verdadeiro trabalho de restauração. Um exemplo são as duas poltronas que mistura os pés em forma de agulha dos anos 60 a um desenho moderno. Foi preciso todo cuidado para lixar e consertar estas poltronas, comenta.
Peneirar o que pode ser vendido, separando o que pode ser reutilizado em novos móveis também é função de Celi Romero. Ela afirma que apenas 1% dos móveis que chegam a entidade tem um perfil de móvel velho (ar de antiguidade). Estes são os que mais têm saída, comenta. Outra pequena parte é recuperada e a maioria é desmanchada para se transformar em móveis utilitários completamente diferentes como estantes, mesinhas, etc.
A entidade recebe, em média, dez móveis por dia. Hoje há cerca de 30 unidades prontas para a venda, e pelo menos outras dez sendo recuperadas. Além de consertados, alguns móveis que passam pela oficina da entidade ganham nova vida com trabalhos em pátina e outros tipos de pinturas especiais.
A intenção é mostrar o nosso trabalho para a comunidade e torná-lo uma referência para quem busca beleza e preço baixo, afirma a coordenadora. Apesar da marcenaria do Anália Franco ser antiga, só recentemente ela vem desenvolvendo um trabalho mais voltado para o mercado externo.
Mesmo com a valorização do trabalho, explica a coordenadora, a instituição consegue oferecer produtos a valores muito menores que os de mercado de usados. A exposição no Catuaí termina hoje, mas os móveis da exposição e outros recuperados podem ser comprados na entidade durante o horário comercial.
- Marcenaria do Lar Anália Franco - recuperação de móveis antigos. Avenida Anália Franco, 33, Bairro Aeroporto, Londrina, fone 0**43/325-8060





