Deixar o imóvel vazio ou alugá-lo por preço ‘‘abaixo do mercado’’? Como saber se vale a pena reduzir o valor solicitado para adequá-lo ao preço oferecido pelo interessado, ou aguardar dois ou três meses até que alguém pague o esperado? O novo ano, que começou com uma superoferta de imóveis para locação e alguns ajustes econômicos ainda em desalinho cambial, requer alguns cuidados especiais, segundo os especialistas do setor. Especialmente para quem tem, no recebimento de um aluguel, a principal e/ou única fonte de renda mensal.
Em Curitiba, a oferta de unidades para locação no mês de janeiro diminuiu 2,62% em relação ao mês anterior. Mas ainda assim existe uma superoferta no mercado de locação na capital. São 7.240 imóveis disponíveis, e destes, 65% são unidades residenciais. Em Londrina a situação não é muito diferente: o número de imóveis residenciais registrado para locação, no mês de janeiro, foi de 1.156 unidades. Outros 594 imóveis estão listados no rol das ofertas comerciais.
Foto: Dorico da SilvaSônia Gritzback: ‘‘Mudei para outro apartamento, no mesmo edifício, porque o aluguel era 22% mais barato’’‘‘A superoferta está sendo registrada em todo o Estado’’, comenta analista o econômico e estatístico do Sindicato da Habitação do Paraná, Carlos Leoncio Nú¤ez Arévalo. ‘‘É que ainda não temos os números definitivos das pesquisas de mercado realizadas mensalmente pelo Secovi-PR, também nas cidades de Maringá e Cascavel. Mas o analista ressalta que é importante lembrar que a oferta maior que a demanda é fator comum, neste momento, em todo o país, e não tem nada a ver com a desvalorização do real ou dos ajustes econômicos, realizados pelo governo.
Apesar disto e por tabular números e valores, o analista econômico arrisca um palpite: ‘‘Quem tem o imóvel como fonte de renda direta tem que observar o mercado atual que sugere readequação de preços e alugar o mais rápido possível. E isso significa renegociação’’. Para o investidor imobiliário no entanto, em que a situação financeira pode ser mais confortável, Carlos Leoncio comenta que ‘‘este sim, na maioria das vezes, espera um pouco mais, para quem sabe, obter a médio e a longo prazo, um melhor valor de renda’’.
Prática comum nestes últimos três anos, a renegociação para os novos ou a manutenção de preços para os contratos já vencidos é atualmente o melhor negócio para proprietários de imóveis. O gerente de locação da Raul Fulgêncio Negócios Imobiliários, de Londrina, dá exemplos que ilustram bem a atual realidade do mercado de locação. ‘‘Aqui, em 60% dos casos de renovação, verifica-se uma redução de valores. A média é de 10%, mas em alguns casos os acordos promovidos pela administradora entre proprietários e inquilinos chegam a reduzir em até 15%, ou mais, o valor do aluguel proposto inicialmente’’, diz Fernando Coelho.
Segundo o gerente da imobiliária RF, ‘‘nos outros 35% dos casos os contratos mantêm seus valores inalterados e, em apenas 5% dos casos de renovação contratual, são aplicados os índices de reajuste determinados pelo governo. ‘‘Nossa orientação constante é que, a manutenção de um bom inquilino é sempre vantajosa para o locador, já que no caso de desocupação, a recolocação do imóvel no mercado, até pelo mesmo valor de aluguel, está bastante difícil’’.
Foi o que aconteceu com a gerente de vendas, Sônia Maria Loureiro Gritzback, de Londrina. Moradora de um apartamento alugado, ela trocou de andar, no mesmo edifício onde residia há dois anos, depois que descobriu que, quatro pavimentos acima, os mesmos 90 metros quadrados de área, tinham número maior de armários nos quartos, piso em madeira laminada, estava melhor posicionado em relação ao sol da manhã e ainda era 22% mais barato.
‘‘Não tive dúvidas, mudei. Mudei porque na hora de reajustar um valor que já era alto - R$ 580,00 -, o proprietário foi irredutível dizendo que não abriria mão de nenhum tostão. Foi então que procurei e encontrei, no meu prédio mesmo, outro imóvel. E, além de mais barato, ainda estava em condições melhores’’.
Com um contrato vigente que estipula o valor do aluguel em R$ 450,00, Sônia usa a diferença para pagar o condomínio. ‘‘Com os 130 reais que sobraram quase pago toda a taxa de condomínio do edifício, que quase nunca ultrapassa R$ 170,00. Ganhei em pesquisar e procurar negociar’’, diz a inquilina.

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