Abre e fecha; fecha e abre. Sempre foi assim, não é? Afinal, as portas e gavetas foram inventadas para proteger produtos guardados da invasão dos insetos indesejáveis e do pó. Ninguém olhava para o utensílio que permitia a manobra: os puxadores.
Há cerca de dez anos tentaram até eliminá-los, propondo ‘‘cavas’’ nas portas e gavetas. O recurso consistia em possibilitar as manobras (abrir e fechar) confortáveis sem precisar do puxador. Mas não era a mesma coisa e os puxadores voltaram. Há aproximadamente cinco anos passaram de utilitários a acabamento, grande conquista para quem sempre esteve entre os complementos.
A empresária do setor Luciana Amarante Cidade conta que até três anos atrás Londrina não dispunha de lojas com variedade de modelos, nem com puxadores contemporâneos, com design. Lembra que antes dela abrir uma loja só de puxadores na cidade, quem quisesse alguma coisa diferente tinha de mandar fazer ou importar.
Na época, diz, o mercado local oferecia apenas os modelos tradicionais. Segundo Luciana, a indústria brasileira só acordou para este ramo com a abertura do mercado para as importações. A demanda foi tão grande que hoje o número de fábricas de puxadores aumentou sensivelmente. Luciana toma como referência a FIQ realizada em Arapongas no ano passado. ‘‘Apenas duas fábricas de puxadores participaram’’, conta. Na feira deste ano, as fábricas de puxadores ocuparam cerca de 30% do espaço do evento.
Luciana Amarante atribui o fato ao design italiano (que dita moda para o mundo todo) e na aceitação do consumidor à tendência de móveis cada vez mais lisos e de linhas contemporâneas.
Como acabamento, os puxadores passaram a dividir os louros da beleza final dos móveis. Hoje, a maioria dos arquitetos confirma que o puxador errado pode ‘‘destruir’’ a beleza do design de um móvel.
O gerente de negócios da ProDecor, de Curitiba, Elcio Luiz Appel Vieira concorda com a empresária de Londrina. Ele informa que o mercado de puxadores triplicou o volume de negócios nos últimos dois anos. Mas, para ele está havendo uma pequena revolução na linha de pensamento dos arquitetos.
‘‘Eles começaram a usar o modelo do puxador como referência importante para o design dos móveis. Este sistema vem fortalecer ainda mais os puxadores’’, analisa. Preocupados com a qualidade do produto, cada vez mais fabricantes trabalham em conjunto com os designers. O objetivo é oferecer produtos com empunhadura confortável e ergonômicamente corretos. Elcio Vieira frisa que a qualidade ainda vai ser o principal item para diferenciar uma fábrica da outra.
Também falando em qualidade, a empresária Luciana Amarante, ressalta que há puxadores para todos os gostos e bolsos. Mas alerta sobre a escolha de produtos muito baratos. ‘‘Todo bom produto tem garantia e quem não compra direito, acaba comprando duas vezes e perdendo dinheiro’’, orienta.
Outro cuidado importante, diz, é respeitar a orientação do arquiteto ou decorador. Perdido entre uma variedade enorme de formas, materiais e cores de puxadores, um mais bonito que o outro, o consumidor pode acabar comprometendo o visual do móvel. O bolso agradece o cuidado. Afinal, os puxadores são responsáveis por cerca de 15% do preço final de um móvel.

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