A falta de planejamento urbano de longo prazo pode gerar situações de caos nas cidades, principalmente nas metrópoles. Na tentativa de minimizar o problema a Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura (Asbea) propõe a criação de uma Agência de Proteção do Espaço Público e da Paisagem Urbana para gerenciar os serviços essenciais como manutenção dos espaços públicos - ruas, praças, calçadas, etc. A proposta é que esses serviços não poderão ser interrompidos mesmo com as alternâncias de poder e de ideologias partidárias.
Idealizado, em princípio, para a cidade de São Paulo, arquitetos da Asbea-PR acreditam que a agência poderá contribuir para a solução de problemas como os de Londrina e Curitiba. ''A idéia é a agência mobilizar a sociedade'', diz o arquiteto londrinense, Clóvis Bohrer.
Ele aponta, entre alguns problemas do município, a falta de acessibilidade ao meio urbano e destaca que não é apenas em São Paulo que obras ficam inacabadas ou dificultam o trânsito de carros e pessoas. Como exemplo, Bohrer cita o caso da Avenida Ayrton Senna, cuja obra foi lançada em maio do ano passado e deveria ter sido entregue em outubro do mesmo ano, mas ainda está em construção.
No caso de Curitiba, os profissionais reclamam que o planejamento urbano da cidade é muito ditatorial. ''Todo planejamento é feito entre quatro paredes pelo poder público. Eles não discutem os projetos com a sociedade, com entidades do segmento'', reclama Dalton Vidotti, presidente da Asbea-PR.
Um bom exemplo desse excesso de autoridade, segundo o arquiteto Francisco Almeida, também de Curitiba, está no fato de que recentemente técnicos da cidade definiram dois modelos de calçadas para o município. ''A idéia é padronizar essas vias, mas o problema é que a questão não foi debatida com as entidades do setor, com a população para saber se o projeto seria bom ou não'', finaliza.

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