Projetos universitários beneficiam construção civil
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sábado, 27 de julho de 2013
Paula Barbosa Ocanha<br>Reportagem Local 
Projetos e pesquisas universitárias voltadas para a área da construção civil estão gerando frutos e boas ideias para serem aplicadas nos canteiros de obra. Prova disso são dois projetos, elaborados durante pesquisas de mestrado e doutorado, que venceram o primeiro e segundo lugares da "5ª edição do Prêmio Caixa de Projetos Inovadores com Aplicabilidade na Indústria Metalúrgica, Mecânica, Eletrônica, Materiais Elétricos e Construção Civil". Um dos projetos estudou uma nova forma de produzir concreto, com materiais naturais, e o outro, chamado de light steel frame, pretende reduzir o tempo de construção, aumentar a qualidade e a redução de desperdícios na obra.
O projeto vencedor do prêmio foi desenvolvido pelo professor do Departamento de Engenharia de Produção da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Rafael Germano Dal Molin Filho, que pretende produzir concreto autoadensável, ou seja, que se molda às fôrmas sem precisar de energia de vibração, somente com seu peso. A principal característica do concreto é a viscosidade e alta fluidez, que evita a segregação de materiais e se torna um aliado no setor da construção civil.
O concreto "autoadensável" usa cinza do bagaço da cana-de-açúcar em sua composição, um resíduo da indústria sucroalcooleira gerado a partir da queima nas caldeiras do bagaço da cana no processo de cogeração de energia. "Existem outros trabalhos nacionais e até mesmo internacionais que objetivam utilizar a cinza do bagaço da cana-de-açúcar em materiais para construção civil e até para outras indústrias. No caso da construção civil destacam-se os desenvolvimentos de concretos e argamassas", explica o professor, que ressalta que demorou 18 meses desde a idealização do projeto até chegar no produto final feito durante seu mestrado em Engenharia Urbana na UEM.
A pesquisa concluiu que, nas condições avaliadas, é possível substituir a areia por cinza do bagaço da cana-de-açúcar na taxa de 10% da massa, gerando uma economia de 89,2kg de areia por metro cúbico de concreto autoadensável. "Ele pode ser usado em diversas aplicações na indústria da construção civil, como em estruturas em concreto armado em geral , elementos de fundação, estruturas de contenção, elementos pré-moldados, estruturas de túneis, pontes, viadutos, dentre outros". A ideia do projeto era a utilização de materiais que projetassem contribuições com a redução do consumo de recursos naturais para contribuição direta da redução dos impactos socioambientais.
Light steel frame
O segundo lugar do prêmio ficou com um sistema de construção de light steel frame, que segundo o idealizador do projeto, o engenheiro civil André Vivan, o objetivo era "quebra de paradigmas no setor produtivo da construção civil, com o intuito de se obter maior volume de produção com o aumento e controle da qualidade visando, também, a redução do deficit habitacional".
O sistema de light steel frame já é usado há muito tempo nos Estados Unidos e Japão, segundo ele. "Essencialmente o sistema é constituído por uma estrutura de painéis compostos por perfis de aço dobrados a frio, que formam as guias e montantes. Para a vedação destes painéis utilizam-se, normalmente, placas de gesso acartonado e placas cimentícias, que substituem a alvenaria como fechamento". O acabamento é executado com os mesmos materiais que se utilizam em uma obra tradicional. Na prática a estrutura da obra é montada em aço e placas vão preencher os vazios, completando as paredes.
Diferente do sistema de construção pré-moldada, que usa fôrmas que depois são preenchidas com cimento, e leva até um dia para secar, a vantagem do light steel frame é que ele não utiliza nem cimento e nem água para sua execução, o que o caracteriza como sendo uma "construção seca". O prazo para término da obra também é menor do que de uma construção normal. "Basicamente, reduz tempo de produção e aumenta a qualidade e redução de desperdícios. Nós resolvemos aplicar estes conceitos fora do ambiente tradicional de um canteiro de obras, levando-os para dentro de uma fábrica de casas, no sentido literal".
O projeto de Vivan começou a ser pesquisado por ele durante o doutorado em Estruturas e Construção Civil na Universidade Federal de São Carlos (Ufscar), no estado de São Paulo.


