Ligia Barroso
Indústrias de cal da Região Metropolitana de Curitiba se unem para melhorar a qualidade na produção e, em consequência, oferecer às construtoras e consumidores um produto mais confiável e adequado, seguindo os padrões estabelecidos pela Associação Brasileira de Normas Técnicas.
O projeto, iniciado pelo Sindicato das Indústrias de Cal no Paraná (Sindical), tem o apoio do Instituto de Tecnologia da PUC (Intec), entidade responsável pela análise de amostras enviadas pelas empresas participantes do programa - metade das 39 indústrias da região.
O programa inclui a obrigatoriedade de se destacar nas embalagens o tipo de cal fabricada, em especial a CH3 (Cal Hidratada 3) que é a mais consumida pelo setor. A idéia é criar também um selo de qualidade para que as empresas possam imprimir na embalagem, divulgando assim quais os produtos confiáveis e adequados às normas da ABNT.
‘‘Queremos combater as indústrias que produzem fora da conformidade de maneira intencional; empresas que, em linguagem popular, batizam o produto’’, diz Marcello Mazzarotto, presidente da Comissão de Qualidade do Sindical. Para melhorar a qualidade da cal sem prejudicar financeiramente as fabricantes, o sindicato está propondo que cada empresa passe a produzir uma cal diferenciada, controlada em laboratório e independente da produção normal.
‘‘Vamos tentar criar inicialmente um mercado para a cal padronizada, que atenda a todas as exigências da ABNT e da indústria da construção civil, sem interferir na produção das empresas’’, diz Mazzarotto. Ele explica que este argumento é fundamentado em razão da maior queixa entre os empresários da indústria de cal. ‘‘Os que tentam melhorar a qualidade do produto encontram resistência no setor de compras das construtoras que buscam sempre o melhor preço. Ou seja, perdem em competitividade’’.
‘‘Os compradores estão buscando preço e isso está nos afastando das construtoras’’, afirma Izilda Furquim Bezerra, diretora do Sincoval e também da empresa Cal Rio Branco. ‘‘É preciso esclarecer e informar engenheiros, técnicos e equipes de trabalho dos canteiros de obras que o uso de um produto de qualidade e seguindo as normas técnicas de fabricação reduz o custo final da obra’’, ressalta.
A questão preço versus qualidade também é enfatizada pelo presidente da Comissão de Qualidade e Produtividade do Sinduscon Paraná, engenheiro Renato Keinert Júnior. ‘‘As empresas de pequeno porte dominam o setor e muitas vezes produzem cal adulterada, com grande porcentagem de material inerte. Além disso, é comum trocarem de embalagem entre si, o que torna praticamente impossível saber a origem do produto com exatidão’’.
Ainda como parte do programa de controle elaborado pelo Sindical, existe um projeto para análise de todos os tipos de calcário na pedreiras da região. ‘‘O calcário paranaense é de ótima qualidade, podendo ser explorado ainda por um longo período, inclusive para a química fina e correção do solo’’, diz Marcello Mazzarotto. ‘‘Só que os resultados da industrialização podem ser ainda muito melhores; queremos poder oferecer um insumo de confiança para quem constrói’’, finaliza.

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