Projeto rompe com os puxados
O projeto base das edificações é simples: a partir de uma estrutura inicial fornecida em concreto armado pré-moldado, composta de uma laje com área útil de 78,75 metros quadrados e parede molhada (shaft para as instalações hidráulicas), o proprietário pode construir e ampliar a residência conforme sua necessidade, usando o material que desejar, seguindo apenas a exigência de que todos os ambientes sejam iluminados e ventilados naturalmente, o que resultará na manutenção de um pátio, ou uma área aberta em cada unidade.
''Procuramos criar um modelo que trata a oferta de moradias populares em loteamentos ou conjuntos habitacionais de forma diversa'', argumenta Efreu Quintana. Segundo ele, estudos de pós-ocupação em conjuntos populares mostram que como as unidades habitacionais são pré-concebidas e baseadas quase que essencialmente em custo de construção por metro quadrado unitário, é comum ocorrer o chamado processo de favelização.
''Como as reais demandas sociais e espaciais não foram consideradas pelo projeto inicial, o morador, depois de um tempo, adapta o imóvel às suas necessidades. Ele cria então os famosos 'puxados', ocupa as coberturas/lajes com terraços, cria novos cômodos e novos usos, como garagem e churrasqueiras, tornando os espaços individuais e coletivos em canteiro de obras permanente, de forma semelhante à construção das favelas. Por isso, nossa idéia foi propor o rompimento tanto com a dinâmica homogeneizada do mercado da habitação popular como das ampliações por conta, oferecendo alternativas arquitetônicas adequadas para o tecido social em questão e suas formas individuais de habitar.''
Também integram o projeto Favelização Urbana, propostas para a adequação de tráfego de veículos da Avenida Tronco (um eixo estruturador de toda esta região, conectando várias comunidades), a criação de um parque que funcione como elemento integrador entre a Tronco e comunidades vizinhas e a construção de passarela para pedestres.
O Concurso de Escolas de Arquitetura é realizado desde 1951, antes mesmo de a Bienal de Arquitetura se tornar um evento autônomo, independente da Bienal de Artes. ''Trata-se de um evento bastante tradicional, que cumpre o importante papel de revelar futuros profissionais. Muitos, inclusive, já foram revelados em outras edições do Concurso'', afirma Gilberto Belleza, do Instituto de Arquitetos do Brasil, organizador do evento. (L.B.)
Serviço
- 6 Bienal Internacional de Arquitetura de São Paulo, até 11 de dezembro, na Fundação Bienal de São Paulo (Avenida Pedro Álvares Cabral s/n - Parque Ibirapuera, portão 3). Horário: de 3 à 5, das 12 às 22 horas. Sextas, sábados e domingos, das 10 às 22 horas. Ingresso: R$ 12 (Crianças até 6 anos não pagam. Estudantes, crianças de 7 a 12 anos e maiores de 65 anos pagam meia). Venda de ingressos: Ticketmaster (www.ticketmaster.com.br)





