Arquivo FolhaLondrina tem áreas verdes para proporcionar boa qualidade de vida. Na periferia, porém, a arborização ainda é insuficienteO modernismo com suas estruturas de concreto e faces envidraçadas não impressiona muito a arquiteta Ana Virgínia Faria Sampaio. Professora de Conforto Ambiental no Centro de Estudos Superiores de Londrina (Cesulon) , Ana defendeu recentemente sua tese de mestrado pela Faculdade Mackenzie, de São Paulo. Sob o título ‘‘Clima Urbano e Arquitetura: adequação, conforto, qualidade de vida’’, estudo para a cidade de Londrina, o trabalho expressa a preocupação da estudiosa com a adaptação dos projetos arquitetônicos ao local onde são construídos e a influência sobre o bem estar do futuro habitante. ‘‘A maioria dos projetos ainda se preocupa mais com questões formais sem levar em conta que o cliente é um ser humano que precisa morar, trabalhar, enfim, conviver num ambiente confortável’’, afirma Ana.
De acordo com ela, o primeiro ponto que o arquiteto deve considerar ao elaborar um projeto é a atividade que será desenvolvida pelo usuário. A segunda preocupação é com o local onde será construído o ambiente projetado.‘‘Para situações climáticas diferentes, devemos ter soluções arquitetônicas diferentes’’, explica a professora.
Arquivo FolhaA arquiteta do Cesulon afirma que o profissional deve conhecer as alterações climáticas causadas pelos diferentes elementos urbanos
As cidades são passíveis de alterações no clima devido as diferenças de vegetação, densidade e relevo. Segundo Ana Virgínia os registros meteorológicos fornecidos pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), não são o suficientes para acompanhar as variações climáticas dentro de Londrina. ‘‘Além do arquiteto ter que conhecer estes dados, ele deve também conhecer as alterações no clima causadas pelos diferentes elementos urbanos’’, afirma.
A pesquisa da arquiteta baseou-se nos dados do trabalho do geógrafo Francisco Mendonça, da UEL, que aponta o Lago Igapó, o centro da cidade, os vales e a periferia como zonas climáticas distintas.
A posição do Sol é, segundo Ana Virgínia, um fator importante para o projeto arquitetônico sobretudo no uso do concreto e das faces envidraçadas e no incremento da ventilação. A utilização indiscriminada do vidro pode trazer desconforto, por causa do calor, e desperdício de energia elétrica devido à necessidade de aparelhos de ar condicionado por um longo período do dia. ‘‘O uso do vidro deve ser muito bem estudado. Nem sempre existe a preocupação com o Sol ao entorno’’, alerta.
As cores escuras também comprometem o conforto porque absorvem o calor do Sol. Um exemplo é a construção das ’’casas de ardósia‘‘ que, além da cor cinza, não oferecem resistência ao calor nem ao frio. Outro agravante é que as ‘‘casas de ardósia’’ foram construídas na periferia onde a temperatura é mais alta por causa da interferência climática do meio rural. Para Ana, o projeto é totalmente inviável. A periferia da cidade tem uma alta concentração de residênicas e ainda é pouco arborizada. ‘‘Na época do plantio o calor aumenta. A solução seria aumentar a cobertura vegetal e a quantidade de água nessas regiões’’, aponta Ana Virgínia.
Apesar das tendências arquitetônicas reproduzidas em Londrina nem sempre levarem em consideração as características diversas do clima de cada região, a professora acredita que a cidade tem áreas verdes suficientes para proporcionar uma boa qualidade de vida. ‘‘Os arquitetos tem que utilizar isso da melhor maneira possível’’, completa.

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