Programa monitora produção de cal hidratada no Brasil
PUBLICAÇÃO
domingo, 04 de janeiro de 1998
Londrina 
DivulgaçãoA empresa que gerencia o programa utiliza os laboratórios do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) para a realização dos ensaiosDiversas marcas de cales hidratadas fabricadas hoje no Brasil para utilização na construção civil não apresentam a qualidade mínima necessária para um bom desempenho. Apesar da existência de uma norma brasileira de especificação (NBR 7175 - Cal Hidratada para Argamassas), grande parte dos fabricantes não atende as exigências especificadas na norma.
Com o objetivo de propagar a evolução tecnológica do setor, através da melhoria do desempenho das cales hidratadas, a Associação Brasileira dos Produtores de Cal (ABPC) vem implementando desde novembro de 95 o Programa da Qualidade da Cal Hidratada. O programa é gerenciado pela Tesis (Tecnologia de Sistemas em Engenharia), que utiliza os laboratórios do Instituto de Pesquisas Tecnológicas de São Paulo (IPT) para a realização dos ensaios. A Associação divulgou recentemente a avaliação do período de junho a agosto de 97.
O programa tem verificado grau de pureza bastante elevado em cales das marcas comercializadas pelas empresas associadas à ABPC, sempre próximo a 95% e acima do grau mínimo de 88% exigido pela norma NBR 7175/1992, que define todos os requisitos de qualidade do produto.
Arquivo FolhaUso da cal
adulterada provoca
diversos problemas
na construção
O programa de qualidade envolve todas as empresas produtoras de cal hidratada associadas à ABPC, que comercializam as marcas Campical, Caltrevo, Carbotex, Cifercal, Itaú, Massical, Minercal, Sublime, Supercal e Votoran. Estas marcas representam 65% da produção nacional, hoje estimada em mais de dois milhões de toneladas anuais. A entidade audita também várias marcas não associadas, representativas dos mercados regionais, a partir da aquisição do produto diretamente no ponto de venda. Estas respondem por cerca de 300 mil toneladas por ano. No total, o programa atinge aproximadamente 80% da produção nacional de cal hidratada para produção de argamassa. O Programa uditou 41 marcas de cal, sendo 10 produzidas por empresas participantes e 31 marcas de empresas não-participantes.
Um dos itens observados na avaliação é o de teor de resíduo insolúvel, um importante indicador para o consumidor. Mostra a quantidade de materiais estranhos que é misturada ao produto. As adulterações mais frequentes são a adição de filitos e rochas alteradas, como caulinitas, ilitas, pozolanas e outros, que nada mais são do que terra misturada a cal. Na auditora as marcas das empresas associadas à ABPC apresentaram teor abaixo dos 10%, limite máximo tolerável.
O uso de cal adulterada com esses produtos provoca diversos problemas na construção, como destacamento de tetos e paredes, ocorrência de trincas nos revestimentos e o aparecimento de manchas ou eflorescências de aspecto feio nas paredes. O pior é que essas ocorrências aparecem somente dois anos após a conclusão da obra e acabam sendo associadas a outras causas não relacionadas à qualidade do material usado no revestimento.
As empresas consideradas conformes pelo no relatório foram aprovadas nos requisitos: massa líquida, exigências químicas (anidrido carbônico, resíduo insolúvel, óxidos totais e óxidos não-hidratados), granulometria (finura), retenção de água e incorporação de areia.
O relatório da Tesis apontou entre as empresas participantes do Programa da Qualidade da Cal Hidratada, 12 foram aprovadas na análise química e uma reprovada. Na análise física, 11 foram aprovadas e duas reprovadas. Das empresas não participantes do programa, sete foram aprovadas na análise química e duas na análise física. Dezessete não-participantes apresentaram resíduos insolúveis maiores que 10%, representando um teor de óxidos totais menor que 88%.
Foram consideradas conformes as marcas Cifercal, Campical, Carbotex, Itaú/Votoran, Supercal, Supercal/Massical, Sublime, Caltrevo e Minercal. E não-conformes, de acordo com os critérios relacionados acima, as marcas Alvacal, Sacy, Belacal, Everest, Tropical, Filical Branca de Neve/Super CaO, Causin, Primor/Primor Extra, Minarca, Kical, Usecal, Calmassa, Castrocal, Unical
O relatório ressalta que foram consideradas não-conformes as empresas que produzem cales hidratadas que não atendem os requisitos químicos especificados na norma denominada NTE Q-842-CA-NT-001, que dizem respeito à pureza do produto, independentemente dos resultados alcançados nos ensaios físicos. Dessa forma, a não inclusão de uma empresa na categoria não conforme não significa necessariamente que o fabricante produza cales em conformidade com a especificação adotada, uma vez que os produtos podem atender os requisitos químicos e ao mesmo tempo não atender às exigências físicas.


