Arquivo FolhaA construção civil sofre interferência de programas destinados à racionalização do processo de produçãoA implantação de programas de qualidade total na construção civil deve ter como objetivo tanto a racionalização de processos empresariais e aplicação de inovações tecnológicas, quanto da geração de produtos que atendam às exigências dos consumidores e que obedeçam critérios de segurança segurança, habitabilidade, durabilidade e econômica.
O alerta foi feito pelo doutor em engenharia e diretor do CTE-Centro de Tecnologia de Edificações, Roberto de Souza, em artigo da revista Qualidade na Construção, publicação do Sinduscon São Paulo.
‘‘O movimento pela qualidade na construção civil tem se ampliado significativamente nesses últimos anos e atingido toda a cadeia produtiva, envolvendo empresas construtoras, fabricantes de materiais e projetistas. As entidades de classe do setor têm assumido seu papel difundindo a importância da qualidade e promovendo programas de capacitação para seus associados, e o Estado vem paulatinamente exercendo seu poder de compra, também exigindo qualidade de seus fornecedores. Mas neste processo duas figuras são essenciais: o consumidor final e a comunidade’’.
O consultor de empresas constrói sua tese em um ponto básico, estrutural: todos os produtos gerados pela indústria da construção civil têm como destinatários os consumidores e a sociedade. São estradas, infra-estrutura urbana, loteamentos, edificações habitacionais e comerciais, ou construções destinadas a escolas, creches, hospitais e lazer. ‘‘Por isso, diz Roberto de Souza, ao se promover o desenvolvimento da qualidade no setor, há que se atentar para duas grandes vertentes, ambas essencialmente importantes’’.
‘‘A primeira é aquela voltada à racionalização dos processos empresariais e dos canteiros de obra, inovando-se tecnologicamente nos projetos, material e processos construtivos que visam o aumento da produtividade, o combate ao desperdício e a redução de custos. Os benefícios são o aumento da lucratividade da empresa e seu melhor desempenho no mercado. A segunda vertente, tão importante quanto, são os produtos finais gerados pelas empresas e entregues ao consumidor final e à sociedade. Essa qualidade é medida pelo desempenho do produto que indica sua adequação ao uso, sua capacidade de atender às necessidades do usuário e da comunidade em determinadas condições de exposição e utilização, de forma a satisfazer as exigências de segurança, habitabilidade, durabilidade e econômicas’’.
Segundo o consultor, é fundamental, em primeiro lugar, a preocupação de projetistas, fabricantes e construtores com os seguintes quesitos: segurança estrutural, de incêndio, os relativos ao conforto térmico, luminoso e acústico (nas grandes cidades). Estes últimos assumem importância que extrapola o conceito de conforto, atingindo a própria saúde física e psicológica das pessoas, durabilidade do produto (vida útil sem entrar em processo de deterioração), e custo de execução adequado às possibilidades do público (na produção e manutenção ao longo de sua vida útil, expressando o atendimento do produto às exigências econômicas).
‘‘Por isso é importante que as ações de toda a cadeia produtiva da construção e programas implantados nas empresas, promovam o equilíbrio entre as duas vertentes. As empresas têm que ser mais lucrativa e competitiva, mas seus produtos finais têm que oferecer desempenho com qualidade’’, finaliza.Ligia Barroso

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