Programa deve atender o consumidor
PUBLICAÇÃO
sábado, 28 de fevereiro de 1998
Especial para Folha Imobiliária 
Arquivo FolhaA construção civil sofre interferência de programas destinados à racionalização do processo de produçãoA implantação de programas de qualidade total na construção civil deve ter como objetivo tanto a racionalização de processos empresariais e aplicação de inovações tecnológicas, quanto da geração de produtos que atendam às exigências dos consumidores e que obedeçam critérios de segurança segurança, habitabilidade, durabilidade e econômica.
O alerta foi feito pelo doutor em engenharia e diretor do CTE-Centro de Tecnologia de Edificações, Roberto de Souza, em artigo da revista Qualidade na Construção, publicação do Sinduscon São Paulo.
O movimento pela qualidade na construção civil tem se ampliado significativamente nesses últimos anos e atingido toda a cadeia produtiva, envolvendo empresas construtoras, fabricantes de materiais e projetistas. As entidades de classe do setor têm assumido seu papel difundindo a importância da qualidade e promovendo programas de capacitação para seus associados, e o Estado vem paulatinamente exercendo seu poder de compra, também exigindo qualidade de seus fornecedores. Mas neste processo duas figuras são essenciais: o consumidor final e a comunidade.
O consultor de empresas constrói sua tese em um ponto básico, estrutural: todos os produtos gerados pela indústria da construção civil têm como destinatários os consumidores e a sociedade. São estradas, infra-estrutura urbana, loteamentos, edificações habitacionais e comerciais, ou construções destinadas a escolas, creches, hospitais e lazer. Por isso, diz Roberto de Souza, ao se promover o desenvolvimento da qualidade no setor, há que se atentar para duas grandes vertentes, ambas essencialmente importantes.
A primeira é aquela voltada à racionalização dos processos empresariais e dos canteiros de obra, inovando-se tecnologicamente nos projetos, material e processos construtivos que visam o aumento da produtividade, o combate ao desperdício e a redução de custos. Os benefícios são o aumento da lucratividade da empresa e seu melhor desempenho no mercado. A segunda vertente, tão importante quanto, são os produtos finais gerados pelas empresas e entregues ao consumidor final e à sociedade. Essa qualidade é medida pelo desempenho do produto que indica sua adequação ao uso, sua capacidade de atender às necessidades do usuário e da comunidade em determinadas condições de exposição e utilização, de forma a satisfazer as exigências de segurança, habitabilidade, durabilidade e econômicas.
Segundo o consultor, é fundamental, em primeiro lugar, a preocupação de projetistas, fabricantes e construtores com os seguintes quesitos: segurança estrutural, de incêndio, os relativos ao conforto térmico, luminoso e acústico (nas grandes cidades). Estes últimos assumem importância que extrapola o conceito de conforto, atingindo a própria saúde física e psicológica das pessoas, durabilidade do produto (vida útil sem entrar em processo de deterioração), e custo de execução adequado às possibilidades do público (na produção e manutenção ao longo de sua vida útil, expressando o atendimento do produto às exigências econômicas).
Por isso é importante que as ações de toda a cadeia produtiva da construção e programas implantados nas empresas, promovam o equilíbrio entre as duas vertentes. As empresas têm que ser mais lucrativa e competitiva, mas seus produtos finais têm que oferecer desempenho com qualidade, finaliza.Ligia Barroso


