O conforto da casa está intimamente ligado ao aproveitamento da luz do sol. A teoria não é novidade, mas até recentemente esta preocupação era limitada à área de serviço. Levar luz para todos os ambientes, definindo a otimização das horas do dia conforme os hábitos da família é uma necessidade para quem quer garantir a qualidade de vida.
Hoje, os arquitetos podem contar com o apoio da informática que agiliza os cálculos. Mas o grande avanço neste sentido, segundo o arquiteto André Silvestri, de Londrina, é a criação do programa Autocad 14 (última versão). Este programa permite a visualização da planta da edificação em três dimensões. Com isto o profissional pode literalmente ver onde e como a luz vai incidir em todos os espaços da casa em qualquer hora do dia.
O arquiteto André Silvestri explica que o processo de cálculo para definir a a melhor localização dos cômodos é complexo. Leva em consideração a localização geográfica (latitude e longitude) e inclinação do terreno e edificações vizinhas. Com a informação visual, o profissional confirma os cálculos e pode fazer eventuais readequações.
Além destas facilidades, o programa possibilita testar a utilização de recursos diferentes que podem otimizar a luz natural. ‘‘Estamos falando de conforto físico, mas também de economia financeira. Em uma casa que aproveita bem a luz solar, o consumo de luz elétrica é reduzido significativamente’’, complementa.
A parte mais importante de contar com este recurso, continua Silvestri, está na satisfação do cliente. ‘‘Ao elaborar um projeto o arquiteto sabe como o imóvel vai ficar quando pronto. O cliente não’’, esclarece. É que, para a maioria das pessoas, a planta plana (desenhada no papel) não consegue transmitir as idéias com segurança.
Com o programa Autocad é possível mostrar, de uma forma ‘‘real’’, como o imóvel vai ser. Na tela do computador o cliente pode ter uma idéia mais concreta, inclusive dos espaços de cada ambiente. Disponível no mercado brasileiro há pouco mais de 4 anos, o único defeito do programa é o preço: algo em torno de R$ 15 mil (a versão mais nova).
O arquiteto afirma que a relação custo-benefício vale a pena, mas o valor é inviável para a maioria dos escritórios de arquitetura. ‘‘Inclusive o meu’’, diz. Ele acredita, no entanto, que este tipo de programa vai se transformar em ferramenta básica de trabalho para os arquitetos. E, a médio prazo, deverá se tornar mais acessível. (C.B.)

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