Arquitetura comum da casa que sedia a 6ª Mostra de Decoração & Interiores levou arquitetos e decoradores a moldar espaços internos, investindo nas formas como elemento de conforto visual
Os arquitetos e decoradores da 6ª Mostra de Decoração & Interiores de Londrina mostraram, mais uma vez, que não deixam nada a dever aos proficionais dos grandes centros. Transformaram uma construção sem estilo definido e com uma divisão espacial interna confusa em uma casa de sonhos.
Com poucos ambientes amplos, a arquitetura original da casa levou os profissionais a trabalharem o funcional e o prático. Sem poder alterar a estrutura original, moldaram tetos, criaram nichos em gesso e elaboraram projetos de iluminação primorosos.
Ambientes bonitos não faltam. Mas, mais que ambientes, o encantamento desta edição da MD&I está nos detalhes. Definitivamente, os profissioais estavam com a ‘‘veia artísticas’’ em alta. O potencial criativo e a ousadia aparecem particularmente no aproveitamento de espaços impensados. Surpreendem o tempo todo com soluções tão óbvias quanto eficientes.
A maioria dos espaços não permite uma passada rápida. Pedem que se aprecie os mínimos detalhes e presenteiam o espectador com descobertas que vão do romantismo à poesia visual.
Exagero? Não é. Na sala de jantar, os arquitetos Marilda Marchiori e José Carlos Repette, subvertem o conceito padrão. A mesa é apenas o ponto de partida e se alimentar, uma desculpa prazerosa para estar no ambiente. Todos os cantos falam da ‘‘gula’’, mas não de comida.
Diria que a sugestão é mais sublime. Eles propõem a ‘‘fome de viver e conviver’’. Idéia reforçada na sala que se abre para fora da casa em duas janelas-portas amplas e generosas.
O arquiteto Wagner Donadio foi mais longe. Usou sua experiência na elaboração de cenários para teatro e transformou o corredor de circulação entre os quartos em um espaço de ‘‘prazer visual’’. Fotos ampliadas de paisagens de vários mundos e um jogo de iluminação transformaram um espaço originalmente ‘‘sem sal’’ em um dos mais atraentes da mostra.
No living, criado por Kátia Costa, os cristais finos, arranjos das rosas e as almofadas em vermelho paixão, às vezes disfarçado com um rebrilho de lilás, parece quase casual. Longe disto, é ele quem dá a nota de prazer no ambiente de reunião diária da casa.
No quarto da menina tudo é doce romance. No espaço idealizado por Mariane Baptista, laços rosas amarram as cortinas e os sonhos de ‘‘mocinha’’ e de ‘‘mulher’’. Repete a receita transformada em pintura de flores e escritas em estrofes de músicas do repertório de Sandy e Júnior e Marisa Monte nas paredes do banheiro da moça e do quarto, no quadro de avisos. Melado? Que nada. ‘‘Gente: Amar é importante’’, garante uma música de Arrigo Barnabé. A final, o amor é sempre ‘‘fashion’’.
No estar dos banheiros públicos, a arquiteta Adriana Pizaia expôs a doçura e a força de todas as raças, retradas nos rostos de mulheres de olhar intenso. Ela apostou nas formas – na curva que rompe a reta e suaviza o movimento – e materiais rústicos para compor um ambiente ‘‘particular’’. Curvou paredes e criou nichos, sempre girando em torno da questão de gênero em uma proposta tácita de comunhão.
Serviço: A 6ª MD&I está aberta à visitação pública até o dia 12 de agosto, das 15 às 23 horas, de terça-feira a domingo, na Rua Lima, nº9, Jardim Bela Suíça. O ingresso custa R$ 6.

mockup