Profissão síndico: quem se habilita?
Alvo certeiro da maioria das críticas e quase sempre eleito como o inimigo número um do prédio, ser síndico geralmente não é uma das funções mais desejadas pelos condôminos. Porém, apesar de reconhecerem esta sina, corajosos moradores aventuram-se na dura missão e têm uma simples explicação para isso: a função, ingrata para muitos, pode ser bastante satisfatória, principalmente pelo lado pessoal.
''Ocupo meu tempo, minha cabeça, me envolvo com uma série de coisas e aprendo muito todos os dias'', conta Anavaly Pelegrini, 58 anos, síndica do Edifício Albamar, em Londrina, há quatro meses. Moradora do local há um ano, primeiro ela foi vice-síndica e logo depois assumiu a função principal. O processo de transição, conforme ela, aconteceu naturalmente. ''Fui me envolvendo e participando das coisas ao meu redor e acabei síndica'', descreve Anavaly, que antes de aposentar-se como professora também tinha o mesmo comportamento de participação comunitária nas escolas por onde passou.
Para ela, administrar o prédio é um prazer e, por enquanto, trouxe boas compensações. Além de estar isenta do pagamento da taxa condominial, a função a obrigou a conhecer cada morador, bem como todos os detalhes do local e a estar constantemente indo ao banco, lidando com o orçamento do prédio. ''Isso é ótimo. Quero minha mente em atividade'', admite.
Como síndica, Anavaly considera-se exigente, mas muito acessível. Na avaliação dela, não há muitos problemas e nem tanta dificuldade em fazer as pessoas acatarem as decisões. Quando isso acontece, ela procura por um ponto de equilíbrio e busca ter jogo de cintura. ''Sempre tem algum morador que fica com o pé atrás, mas o jeito é conversar e negociar'', frisa a professora aposentada.
Dificuldades - Ela classifica a contratação de serviços, entre eles o de encanador e de eletricista, como a principal dificuldade em administrar o condomínio. ''A gente escolhe um profissional para prestar um serviço e nem sempre fica do jeito que você está pensando. E daí, além de pagar pelo serviço ainda tem que escutar as pessoas reclamando'', lamenta.
As alegrias e frustrações do síndico Dirceu Nacácio Santiago, 63 anos, são bastante parecidas com as de Anavaly. Administrador há 19 anos do Edifício Verona, ele conta que assumiu o cargo após a renúncia do ''último'' síndico e nunca mais conseguiu deixar a função. ''No ano retrasado tentei sair, mas os moradores não deixaram'', lembra.
Para ele, essa atitude dos moradores foi uma grande demonstração de respeito. ''É bom saber que somos confiáveis'', brinca Santiago. Segundo ele, o que o motivou a ser síndico foi a insatisfação em relação ao que estava acontecendo com o prédio na época. ''Tentamos organizar os maiores problemas e hoje, por exemplo, temos uma inadimplência quase nula'', pondera o também aposentado.
Entre as coisas boas que Santiago enumera em ser síndico está a amizade que criou com todos os moradores. Além disso, a missão de administrar o edifício é muito prazerosa e ajuda a passar o tempo. ''As nossas decisões agradam uns e desagradam outros, mas quase sempre conseguimos chegar a um acordo'', pontua o síndico.
Santiago cita como ponto negativo da ''missão síndico'' a dificuldade em fazer melhorias no prédio. O dinheiro, afirma, é sempre muito curto. Além disso, ele confessa que demitir funcionários também não está entre as situações mais agradáveis. ''Quando eu assumi tive que demitir quase todos os funcionários, pois estavam ficando muito caro para o condomínio. Isso foi difícil'', diz.





