Brasília - Para os empresários da construção civil, a ''sobra'' de dinheiro na carteira de crédito imobiliário da Caixa Econômica Federal também é explicada pela política pública que não priorizou a construção de imóveis novos. O presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), Paulo Simão, disse que houve um ''excessivo'' direcionamento dos financiamentos habitacionais com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) à aquisição de materiais de construção, imóveis usados, lotes urbanos, reforma e ampliação. Na análise da CBIC, isso prejudicou o financiamento da produção de imóveis novos. ''Fato que não ajuda a diminuir o déficit habitacional, nem criar mais empregos e renda na economia'', resume Simão.
A diretora de Habitação da Caixa, Márcia Kumer, por outro lado, argumenta que é pequena a oferta de imóveis novos com valores mais reduzidos. Isso gera um gargalo na liberação dos financiamentos, que precisam ser compatibilizados com os imóveis disponíveis. Numa pesquisa superficial, a Caixa já detectou que existe demanda para empréstimos em torno R$ 40 mil, só que praticamente não existem imóveis com esse preço no mercado. Na média, os empréstimos da Caixa giram em torno de R$ 16 mil, devido ao peso que o financiamento com recursos do FGTS tem no financiamento global da instituição. Nos bancos privados a média dos empréstimos gira em torno de R$ 80 mil.
Para conseguir, em 2006, emprestar todo o dinheiro disponível - só do FGTS serão R$ 11 bilhões - a Caixa pretende aprofundar o estudo sobre a demanda. A instituição quer mapear todo o País e fazer uma ponte com os construtores, para que o setor imobiliário passe a ofertar imóveis que atendam o perfil da demanda tanto em tamanho, localização e, principalmente preço. (AE)

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