Os imóveis comerciais de Londrina não ficam desocupados por muito tempo. A demanda é grande, e para profissionais do setor, isso é um bom sinal para a economia. Dados da pesquisa do Instituto Paranaense de Pesquisa e Desenvolvimento do Mercado Imobiliário e Condominial (Inpenspar) revelam que a procura por imóveis do gênero aumentou consideravelmente no último mês, o que impactou também nos preços. Em agosto, o custo dos imóveis comerciais usados subiu 22,6%, na comparação com o mesmo mês de 2009.
Uma das maiores demandas foi registrada na venda de conjuntos comerciais, mais conhecidos como salas comerciais, que aumentaram 27% na comparação com o mesmo período do ano passado. A locação de casas comerciais – imóveis antigos antes usados como residências e aproveitados para o comércio – aumentou 6,3% com relação ao mesmo período do ano passado. Os meses de julho e agosto, conforme o presidente do Inpespar, Luiz Fernando Gottschild, são tradicionalmente movimentados para o setor, mas agosto, específico, teve melhores resultados em relação aos outros anos.
Na sua avaliação, este bom momento dos imóveis comerciais se deve à boa fase da economia no País. ‘‘(A economia) Movimenta o mercado, movimenta o comércio e faz as pessoas adquirirem. E hoje, se contrói muitas residências e pouco para o comércio, fazendo o preço no comércio subir’’, explica. Segundo ele, os custos devem ter uma leve
alta durante os próximos meses e uma maior estabilidade para o mercado imobiliário.
Alfredo Canezin, da Imobiliária Canezin, afirma que há clientes investidores à espera de imóveis para compra há três a quatro meses. ‘‘Quem tem, não vende porque é renda garantida.’’ Ele afirma que, na imobiliária, faltam unidades para venda e, para locação, há poucas disponíveis. ‘‘Há cinco anos, era grande a oferta de salas comerciais. Hoje, a pessoa não consegue escolher mais. A oferta diminuiu muito.’’
‘‘A renda no imóvel comercial é melhor que no residencial’’, acrescenta Patrícia Scandelae, da Imobiliária Veneza, também uma das diretoras do Secovi-PR (Sindicato da Habitação e Condomínios). Na imobiliária, os imóveis comerciais também estão em falta. ‘‘Principalmente na região central, mal desocupa e já
aluga rapidamente, lojas,
barracões, salões, estacionamentos.’’
Até chegar ao lugar desejado para locação, no centro da cidade, foram dois meses de procura para os empresários José Eduardo Batista e Fábio Bodra. ‘‘A região central está bem movimentada’’, avalia Batista. Até dezembro, eles devem inaugurar um bar e petiscaria temático na Rua Goiás, entre as ruas Pernambuco e Prefeito Hugo Cabral. O local vai precisar de reformas.
‘‘Precisa fazer a parte
elétrica, pintura, demolições no interior e exterior do imóvel’’, enumera, mas o empresário acredita que o ponto encontrado atende às necessidades do novo
empreendimento.
Investimento
Alfredo Canezin acredita que a grande procura por imóveis comerciais foi motivada pela queda de juros, fazendo com que o imóvel para locação se tornasse um investimento interessante. ‘‘Como existe a valorização do capital, é uma opção de investimento’’, diz. O aumento na procura atravessou o ano inteiro, diz Canezin, e a expectativa é que o resto do ano continue na mesma situação.
Para Patrícia Scandelae, a facilidade de crédito tem levado mais pessoas a começarem o seu próprio negócio, fazendo a demanda aumentar. ‘‘O imóvel só fica parado se estiver acima do valor de mercado. Principalmente de dezembro a março, a tendência vai ser faltar imóvel’’, observa.

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