Procura-se mão-de-obra qualificada
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sábado, 30 de julho de 2005
Erika Zanon<br>Reportagem Local 
Construir ou reformar um imóvel não é uma tarefa muito fácil, fora os custos com material de construção, ainda há problemas com a contratação de mão-de-obra. Encontrar um profissional capacitado e qualificado pode transformar-se em um pesadelo. Sempre existe o risco de contratar pessoas não idôneas ou não qualificadas para o serviço. O problema atinge principalmente os ''pequenos construtores'' que não contam com profissionais como arquiteto ou engenheiro para administrar a obra.
Para o músico Walter Martins, os problemas com mão-de-obra desqualificada foram rotineiros durante os três anos que durou a construção de sua residência. ''Um dia cheguei para ver como estava a obra e o pedreiro havia erguido uma parede sem deixar o espaço para a colocação da janela. Toda a parede foi derrubada na hora'', lembra Martins. Fora o desperdício com materiais, o músico também teve o inconveniente de ter que aumentar o prazo para a entrega da casa.
Segundo ele, derrubar uma parede não foi o único transtorno, em muitas outras situações ele precisou quebrar o revestimento do chão e da parede, e refazer tudo. ''Isso porque eu estava sempre atento na obra e também ajudava. Mas depois descobri que o pedreiro era analfabeto e não entendia o projeto'', pondera Martins, reforçando a dificudade em encontrar bons profissinais nessa área. ''Não é só quem está construindo um imóvel que sofre, mas também quem precisa fazer uma pequena reforma em casa.'', frisa.
Outro ponto de risco para quem vai contratrar um profissional, na opinião do músico, é o fato de que a maioria dos contratos consolida-se informalmente. ''Fechamos o contrato só no boca-a-boca, e corremos o risco do contratado não cumprir com o combinado'', destaca.
Essa foi outra situação pela qual Martins passou. Depois de terminar a construção de sua casa há pouco mais de um ano, ele iniciou o projeto de um imóvel na sua chácara: contratou um pedreiro já conhecido e de ''confiança'', pagou parte do valor adiantado e o profissional abandonou a obra pela metade. Atualmente, Martins ''assumiu'' a construção da casa e todos os finais de semana coloca a mão na massa com a colaboração de um ajudante de pedreiro.
O técnico em edificações, José Carlos Ferreira, também aponta a dificuldade em encontrar mão-de-obra qualificada. Ferreira trabalha como empreiteiro e contrata profissionais para as obras que vão desde imóveis comerciais como lojas, clínicas, restaurantes a residências, ou apenas reformas. ''Já tenho uma equipe com cerca de 30 pessoas que sempre trabalha comigo. Mas quando preciso de mais empregados não é fácil encontrar. Os bons já estão em atividade'', lamenta.
A saída, conta o técnico, é pedir indicação para os empregados que ele já conhece. Segundo ele, os profissionais mais difíceis de contratar são os eletricistas e os colocadores de revestimento. ''Bons pedreiros também estão em falta. Às vezes não tenho condições de assumir uma obra porque não tem profissionais para dar conta'', observa Ferreira.
Na opinião dele, o que falta para melhorar essa condição de deficiência profissional do segmento é a oferta de mais cursos. ''Tem muita gente que quer aprender, mas falta oportunidade. Muitos profissionais acabam aprendendo na obra mesmo, mas ainda falta para eles técnica e conhecimento de normas'', diz.


