Procura por apartamentos sobe 50%
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domingo, 11 de janeiro de 2004
Alan Maschio<br>Reportagem Local 
O faturamento anabolizado de R$ 8,5 milhões pelo comércio londrinense durante os quatro dias de vestibular não é a única consequência positiva da visita de estudantes de todo o País a Londrina em janeiro. Os aprovados ficam na cidade para gerar mais receita e um dos setores que comemora a chegada do início do ano é o imobiliário, que por muitas vezes não tem oferta suficiente para atender a procura até 50% superior por apartamentos e casas para aluguel.
A valorização dos aluguéis de apartamentos em Londrina só não acontece na mesma proporção no período porque as taxas condominiais da cidade são consideradas elevadas. ''Os valores dos condomínios geralmente se tornam proibitivos quando os proprietários dos imóveis pensam em aumentar seus aluguéis'', acredita a responsável pelo setor administrativo da imobiliária Abilio Medeiros, Sônia Medeiros.
A participação de estudantes no mercado de aluguéis em Londrina é significativa: pelo menos 70% dos apartamentos e casas alugadas são destinados aos alunos das universidades e cursinhos, segundo a corretora de imóveis da Mill, Luciani Marion. E as exigências iniciais, ao contrário do que o senso comum permitiria pensar, não é o valor do aluguel, mas sim a localização dos apartamentos. ''As casas no centro da cidade e próximas às universidades são as preferidas'', conta Luciani. Após encontrar os apartamentos que lhes agradem, os estudantes (ou, como na maioria dos casos, seus pais), passam a negociar os valores que, segundo Luciani, transitam entre R$ 300 e R$ 500 para o aluguel e em cerca de R$ 200 para o condomínio.
O período de janeiro a março é tradicionalmente aquecido para o mercado imobiliário não só por causa da chegada de novos alunos às faculdades, mas pelas mudanças que esse pessoal procura fazer sempre durante as férias escolares. ''Os inquilinos começam a retornar para a cidade e aproveitam as férias para procurar apartamentos melhores, mais baratos ou melhor localizados'', afirma Sônia.
A preferência é quase que exclusiva por apartamentos, justificada pelo perfil dos novos moradores, que não costumam ficar muito em casa. ''Como os condomínios transmitem mais segurança do que as casas, os estudantes ficam tranquilos quando saem pela manhã e voltam só à noite'', acredita Sônia.
O aquecimento do mercado é tamanho nesse período que as imobiliárias recomendam a seus clientes que deixem para colocar seus imóveis à disposição nos dois primeiros meses do ano. ''Como a procura é muito grande, os interessados acabam ficando menos exigentes e o aluguel fica mais fácil'', diz Luciani. E em alguns casos, os reflexos do aquecimento do setor no início do ano podem ser sentidos ao longo dos próximos meses, quando os inquilinos exercem a opção de compra dos apartamentos. ''Não é muito comum acontecerem aquisições logo no início do ano, pois acho que os pais preferem ter certeza de que seus filhos vão realmente ficar na cidade. Por isso, as compras acontecem pelo menos seis meses depois'', diz Vilma Mendes, corretora da imobiliária João de Barro.


