O sistema de iluminação do prédio é controlado por fotossensores que medem o nível de luminosidade no ambiente, ajustando a potência das luminárias
O sistema de iluminação do prédio é controlado por fotossensores que medem o nível de luminosidade no ambiente, ajustando a potência das luminárias | Foto: Lex Kozlik/Divulgação
No telhado, painel fotovoltaico com 56 placas solares produz anualmente 223 MWh de energia, o suficiente para atender demanda de consumo do escritório e ainda gerar excedente
No telhado, painel fotovoltaico com 56 placas solares produz anualmente 223 MWh de energia, o suficiente para atender demanda de consumo do escritório e ainda gerar excedente | Foto: Lex Kozlik/Divulgação

É de Curitiba a primeira edificação do mundo a receber o selo Leed Zero Energy (em português, Liderança em Energia e Design Ambiental), do USGBC (U. S. Green Building Council), entidade internacional que certifica os empreendimentos ambientalmente sustentáveis ao redor do mundo. A chancela atesta que a edificação é autossuficiente em energia, ou seja, ela mesma produz toda a energia que consome, independente da concessionária pública, e coloca o Brasil na vanguarda das construções verdes.

O prédio é a sede da Petinelli, uma empresa especializada em consultoria de projetos de engenharia para a certificação de construções verdes no Brasil. Com área de 400 m², o local, segundo o diretor, Guido Petinelli, era um antigo barracão industrial da década de 1980 que foi totalmente reestruturado para se tornar num empreendimento autossuficiente em energia, ou seja, a própria edificação produz toda a energia que necessita para consumo. O processo levou três anos e um investimento de apenas R$ 60 mil, financiados pela Fomento Paraná.

“A instituição criou uma linha específica para incentivar a geração de energia distribuída por pequenas empresas e fomos a primeira delas a tomar esse empréstimo. O projeto é fluxo de caixa positivo desde o primeiro dia e, no nosso caso, o investimento se pagará em pouco menos de cinco anos”, diz. O local também possui um sistema para tratamento de esgoto, não apenas reaproveitando, mas também potabilizando a água captada pelas chuvas.

A liderança na certificação é destacada pelo CEO do USGBC, Mahesh Ramanujam. “Como o primeiro projeto no mundo a receber essa chancela, a edificação serve como modelo global para as empresas. Os projetos Leed Zero estão contribuindo para reconfigurar o futuro e aprimorar a saúde e o bem-estar não apenas dos funcionários, mas de toda a humanidade. Assim, garante-se a próxima fase da certificação Leed, que busca a racionalização da produção de energia e a redução da emissão de carbono”, comenta.

SOLUÇÕES ADOTADAS

O caminho para se tornar o primeiro empreendimento autossuficiente em energia do mundo exigiu planejamento e experimentação. “Eficiência energética e autossuficiência caminham juntos. A única maneira de viabilizar economicamente o conceito zero energia é reduzindo a necessidade de investimento em geração local. Ou seja, quanto maior a eficiência e menor o consumo, mais fácil e barato é produzir energia. Cientes disso, e desafiados a levar essa eficiência ao limite, decidimos tornar nosso escritório em Curitiba um ‘laboratório vivo’ para desenvolver e testar conceitos e tecnologias que pudessem, futuramente, serem replicados para nossos clientes”, revela Guido Petinelli.

A primeira solução adotada foi a aplicação de isolamento térmico no telhado, reduzindo o ganho de calor e melhorando o conforto térmico interno, o que significou menor uso do ar-condicionado. O isolamento térmico foi aplicado por baixo da cobertura, na cor branca. Também se optou pela iluminação indireta, usando luminárias LED com alta eficiência (140 lm/W), do tipo highbay, que foram instaladas em treliças existentes e viradas para cima. “A luz reflete no forro e é distribuída de forma difusa pelo ambiente. Essa iluminação indireta cria um ambiente extremamente confortável para os ocupantes.”

O edifício teve as janelas trocadas para melhorar a estanqueidade e evitar a troca de calor. Para controlar o ofuscamento, foram instaladas "bandeiras" de luz de tecido tensionado. “O tecido em parte reflete a luz e também deixa parte dela passar de forma difusa. Cria um efeito espetacular no espaço, além de contribuir para a redução do consumo de energia”, explica.

Ainda no telhado, foi instalado um painel fotovoltaico de 90 m², com 56 placas solares, com 15kW de potência. Esse sistema produz, anualmente, 223 MWh de energia, o suficiente para atender toda a demanda de consumo do escritório e ainda gerar excedente, que é destinado à rede pública e gera créditos na fatura da conta de luz para a empresa, mesmo com a baixa insolação registrada em Curitiba.

Todo o sistema de iluminação do prédio é dimerizável e controlado por fotossensores que medem o nível de luminosidade no ambiente e, automaticamente, ajustam a potência das luminárias. As persianas motorizadas e automatizadas garantem que a incidência direta solar nunca incomode os ocupantes. “O sistema de iluminação de todo o escritório é eficiente, da concepção ao dimensionamento, especificação de equipamentos, controles e automação.”

Até mesmo os aparelhos de ar-condicionado da empresa são eficientes. O sistema de renovação de ar é acionado por sensor de presença e controlado por sensores de CO2. O sistema tipo VRF, de três vias, assegura que os ocupantes sempre estarão confortáveis. “Além de muito eficiente, ele está integrado à automação e sensores de presença habilitam o sistema. Dessa forma, o ar-condicionado e a iluminação nunca são esquecidos ligados”, conta o empresário.

A empresa também buscou a eficiência dos equipamentos de trabalho, principalmente computadores. “Optamos por notebooks em vez de desktops e utilizamos monitores com tela de LED. Virtualizamos nosso servidor e, há mais de seis anos, alocamos todos os nossos documentos em nuvem. Os três escritórios da Petinelli são conectados e colaboram na execução de projetos, sem a necessidade de servidores locais”, relata. Com todas essas medidas, o consumo de energia da empresa se resume a apenas 25 kWh/m² por ano de intensidade.

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