‘‘Em momentos de crise, a indústria imobiliária é sempre a primeira a sentir os efeitos e a última a se restabelecer’’. É com esta afirmação que o presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi), Normando Antonio Baú, define a situação dos preços cobrados na venda de imóveis num prazo de cinco anos para cá: defasagem acumulada de 25%.
‘‘Enquanto o preço do CUB teve uma variação de até 50%, o preço final de venda de apartamentos e casas não ultrapassou a metade deste percentual’’, explica o presidente da Ademi-PR, argumentando ainda que é difícil para o setor, resistir a uma defasagem acumulada como esta, já que o preço de venda é influenciado pelo custo dos produtos. ‘‘O alumínio e o cimento, por exemplo, são vendidos como comodities. Se o preço sobe lá fora, sobe aqui também, encarecendo o valor final da construção’’.
Segundo Baú, ainda há vários fatores que incidem sobre esta conta: planejamento, projetos, pesquisa, impostos, custo pós-venda de atendimento ao consumidor, passivo de manutenção, publicidade e o próprio tempo de maturação da obra (nunca inferior a 18 meses), resultando numa planilha de custos extremamente complexa.
Atualmente, a média de preço praticada no mercado paranaense, segundo ele, não ultrapassa os R$ 900,00 por metro quadrado. Algumas construtoras conseguem uma margem um pouco maior, desde que já sejam reconhecidas no mercado como realmente idôneas e vendedoras de produtos de qualidade. ‘‘Imóveis em melhor localização e acabamento deveriam estar sendo comercializados por pelo menos R$ 1.500,00 o metro quadrado’’, comenta o superintendente da Irmãos Thá, Alberto Accioly Veiga Filho. ‘‘Na hora em que você vai construir um imóvel, tem uma margem muito estreita de lucro. Mas acredito que isso deve melhorar com o tempo, já que as pessoas estão selecionando muito bem seus imóveis na hora da compra, não olhando tanto para o preço, mas sim para os padrões de qualidade’’, garante.
‘‘O que observamos é que o mercado já vem recompondo as suas margens’’, complementa Normando Antonio Baú. ‘‘Ou seja, o próprio mercado está cuidando de adequar seu equilíbrio, mudando o preço de patamar. Do segundo semestre do ano passado para cá, já houve uma melhora no preço do imóvel, num movimento que vem se mostrando contínuo’’. Prova disso, segundo ele, pode ser obtida com a análise de pesquisas sobre o mercado, feitas regularmente pela associação. Nelas, um dos indicadores mais fortes deste crescimento de preço é o volume de área residencial licenciada.
‘‘De 1999 para 2000, ele caiu em 8%’’, explica Normando. ‘‘Isso mostra que a produção futura de imóveis vai ser menor do que a de hoje. A lei da oferta e da procura vai se fazer sentir. Com menos imóveis disponíveis no mercado, o preço deve continuar subindo’’, finaliza.

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