Com a chegada do verão, as atenções se voltam novamente para um dos lugares mais procurados da casa em dias quentes: a piscina. Pouco ou nunca usada durante o inverno, ela deve receber alguns cuidados básicos antes de ser reativada, para que o usuário tenha a certeza de que a água está em condições de uso, livre de bactérias, vírus, fungos e algas.
‘‘Há uma grande diferença entre a água de uma piscina parecer saudável e estar saudável de fato’’, alerta Edson Zeppelini, gerente de marketing da Olin Brasil, fabricante da linha de produtos para tratamento de piscinas da marca HTH. ‘‘A qualidade da água só é assegurada pelo tratamento preventivo, que consiste em cuidados corretos e regulares. Caso contrário, a piscina pode transformar-se em foco de micoses, conjuntivites, infecções e até doenças mais graves’’, esclarece o especialista.
Pesquisas bienais realizadas pela HTH revelam que a maioria das piscinas brasileiras não é tratada de modo adequado. Os resultados demonstram que é alto o nível de desinformação sobre o processo de tratamento e sobre as características dos produtos destinados à desinfecção e à limpeza da água. Com frequência, são utilizadas substâncias químicas pouco eficientes: sulfato de alumínio, cloro líquido e sulfato de cobre, que prejudicam a salubridade da água.
Depois de um período de ‘‘hibernação’’, o primeiro passo para recuperar as condições de uso da piscina novamente é fazer a manutenção do equipamento, que quase sempre fica parado no inverno, podendo sofrer danos como corrosão e mau funcionamento do motor. Se necessário, também deve ser feita a troca de areia do filtro, recomendada a cada dois anos.
Depois disso, recomenda-se a medição do potencial de hidrogênio (pH), ponto básico do tratamento da água de uma piscina. O pH indica se os níveis de acidez e alcalinidade estão equilibrados, ou seja, entre 7 e 7,4 - o ideal é 7,2. Abaixo de 7 está ácida e acima de 7,4 , alcalina.
A acidez provoca ardência nos olhos e danifica os equipamentos da piscina; já a alcalinidade resseca os cabelos, deixa a água turva e diminui a eficiência do cloro. Se o pH atingir o nível 8, a ação do cloro é bloqueada. Existem no mercado estojos que medem o pH e o teor de cloro da água.
Os produtos básicos para o tratamento de rotina de uma piscina são o bactericida e o algicida. Para casos especiais, como tratamento irregular ou chuvas fortes, há procedimentos e produtos específicos, como decantadores e clarificantes.
Quando a água está muito suja ou assim que a piscina é abastecida novamente, é aconselhável fazer uma supercloração, utilizando o dobro de cloro indicado normalmente. A aplicação deve ser feita de preferência à noite, porque a luz solar acelera a evaporação do produto. Da mesma forma, em piscinas que não são cuidadas diariamente, o tratamento deve ser iniciado, no mínimo, na noite anterior ao primeiro dia de utilização, devido ao tempo necessário para a filtração da água e à ação do bactericida (de seis a oito horas).
Segundo Edson Zeppelini, existem alguns produtos que, embora bastante utilizados na manutenção de piscinas, são inadequados para este fim. Para limpar a água, por exemplo, o método mais conhecido é a utilização de sulfato de alumínio. Esta substância ocasiona a sedimentação das partículas que ficam na superfície da água, possibilitando sua aspiração, porém, deixa a água turva e não elimina os germes.
Na desinfecção, costuma-se usar cloro líquido, que é pouco eficiente por apresentar baixo teor de princípio ativo. Além disso, o cloro líquido tem alta concentração de soda cáustica, que altera o potencial de hidrogênio da água e causa diversos efeitos colaterais, como a ardência dos olhos.
O cloro granulado tem a vantagem de apresentar 65% de princípio ativo, além de ter como elemento principal o cálcio, que não provoca efeitos colaterais. O produto também é oxidante, proporcionando a eliminação dos detritos orgânicos que se encontrarem na água (bronzeador, poeira, suor). É fácil de ser manuseado e não mancha as paredes da piscina.
Já como algicida, normalmente usa-se o sulfato de cobre, que cumpre a função de impedir a proliferação de algas, entretanto é ácido e bastante tóxico. A acidez altera o nível de pH da água, diminuindo a ação do bactericida aplicado. Se este for à base de cloro, o sulfato de cobre pode reagir, formando sais que mancham as paredes da piscina, principalmente as de fibra.

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