Prevenção ainda é a melhor alternativa
Ligia Barroso
Mesmo em momento de acelerado emprego das inovações tecnológicas em produtos, equipamentos e material para construção, que facilitam a execução de reparos e/ou providenciam melhora na qualidade de vida dos moradores de novas ou antigas unidades habitacionais, é bom estar atento ao secular ditado popular. Não existe imóvel que resista (impunemente) à ação do tempo e ao descaso de seus proprietários ou inquilinos. Por isso, a observação da estrutura, condições de portas, janelas, pintura, pisos, revestimentos cerâmicos, lajes e telhados do imóvel deve ser constante, pois ajuda a evitar ou a amenizar problemas futuros.
Os profissionais de engenharia e arquitetura garantem que para todos os problemas sempre existirá uma solução. Aliás, duas: uma mais cara e outra mais barata. Esta última, ainda com a vantagem de ser paga em esparsas prestações, a cada um, dois ou até cinco anos; também conhecida como manutenção preventiva do imóvel.
E para realizá-la corretamente, observar é a palavra de ordem, diz o engenheiro civil Antonio Carlos Nascimento, vice-presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina. Segundo ele é muito importante que o proprietário esteja atento aos sinais que a própria estrutura da construção emite. E exemplifica: Comuns em qualquer casa ou apartamento, as infiltrações em paredes, tetos, beiral de janelas e pisos, têm diferentes origens, podendo causar desde um simples mofo, perda da textura usada no acabamento ou a pintura, até casos extremos como o comprometimento da fundação. Mas como não ocorrem literalmente da noite para o dia, é uma ação contínua, quanto mais cedo for observada, mais rapidamente poderá ser analisada e resolvida.
Para quem reside em apartamento, por exemplo, uma forma de realizar esta manutenção básica é observar sempre os rejuntes de azulejos e pisos cerâmicos dos banheiros, cozinha e área de serviço. Os buracos e falhas revelam sinal de desgate e o caminho para a infiltração. Em edifícios isso significa que, se o rejunte do piso do box do banheiro do andar de cima está desgastado, o teto do banheiro do andar de baixo é que receberá a infiltração. E a solução é simples: vendido a granel em qualquer loja de material de construção, o rejunte pode ser reparado por qualquer pessoa.
Infiltrações mais sérias podem ocorrer nas residências térreas, em que as paredes externas e o telhado são o anteparo natural da água. Paredes que servem de moldura para uma floreira, por exemplo, mesmo impermeabilizadas podem causar danos internamente, ilustra o engenheiro. Mas se reparados precocemente evitam problemas maiores como o comprometimento das vigas usadas no aterro, no arrimo da construção. Telhas quebradas ou deslocadas e calhas sem limpeza periódica, comprometem ao longo do tempo as instalações elétricas. O sinal: as goteiras.
Além de estética a pintura externa também tem sua função: é material hidro-repelente, diz Nascimento. E a ação dos raios solares ultra-violeta sobre a tinta, provoca não só a perda da cor como o desgaste do reboco/acabamento que por sua vez abre caminho para ação mais rápida da água e a infiltração. Por isso, a cada cinco anos no máximo, uma nova pintura deve ser realizada, recomenda.
Quando é preciso mais do que pequenos reparos para manter em ordem o imóvel, apenas a observação do morador não basta. Mesmo que pequena, todas as reformas que forem realizadas em uma casa ou apartamento precisam necessariamente de uma consulta prévia de um profissional de engenharia e/ou arquitetura. Se for possível contactar com o responsável técnico pelo projeto ainda melhor. Pois só um profissional da área tem condições de dizer se a parede que vai ser retirada de um dos dormitórios, por exemplo, não vai comprometer o alicerce das demais, enfatiza Nascimento. É o profissional qualificado que vai poder analisar, inclusive e principalmente, o comportamento estrutural a partir das modificações realizadas. O mesmo vale para aumento de área em uma edificação já construída.
Outro exemplo bastante comum é dado pelo engenheiro, salientando a importância da consulta profissional: A ampliação da capacidade de carga elétrica para a instalação de novos aparelhos e equipamentos eletroeletrônicos, pode causar sobrecarga nas instalações originais, que não foram projetadas para isso, e provocar curto-circuito na rede. Perigo e prejuízo. Por isso é imprescindível que, antes de iniciar o trabalho, um técnico eletricista analise a capacidade de carga original e realize um novo estudo para as novas instalações.
A atenção à manutenção preventiva e periódica de um imóvel deve ser, para o morador, tão comum quanto os cuidados com a saúde pessoal e com o carro, compara Antonio Carlos Nascimento. Quando adquirimos um veículo, seja ele novo ou usado, para usá-lo e preservá-lo, tomamos cuidados como a troca de óleo e o fluido de freio, lavamos e engraxamos o motor etc etc. Com o imóvel tem que ser a mesma coisa. É a manutenção preventiva que vai garantir a conservação, sua consequente vida e valorização, conclui.Especialista recomenda a observação constante das condições de portas, janelas, pintura, pisos, revestimentos cerâmicos, lajes e telhados do imóvel
fotos: Josoe de CarvalhoRevisão anualDesgaste natural dos rejuntes dos azulejos de banheiros, cozinha e área de serviço, provocam infiltração. Se não existe manutenção, ao logo do tempo, pode ocorrer o descolamento total das peçasRachadura causada pela retração da argamassa que não suportou o aumento do peso, provocado pela subida do muro até o telhado. O cálculo inicial não previa este posterior aumentoFloreiras sobre o aterro externo, mesmo em paredes impermeabilizadas, aumentam a possibilidade de infiltração e estragos no lado de dentro. Conservação deve ser constante.A água depositada pela chuva nas canaletas das esquadrias das janelas, aumentam as chances de infiltração na parede interna. Sem cuidados temporários, perde-se parte da argamassa.





