Curitiba - Quando foi lançado em 2004 pela construtora paranaense Moro, o edifício Suíte Vollard ficou conhecido pelos curitibanos como ‘‘o prédio que gira’’. Sua tecnologia permite que cada um dos 11 apartamentos (um por andar) rode de forma independente para a direita e para esquerda sobre um eixo central imóvel. Este foi o primeiro empreendimento desse tipo lançado com fins residenciais em todo mundo.
  Em junho deste ano, o arquiteto David Fisher iniciou uma campanha para arrecadar recursos para a construção de um empreendimento semelhante, o Dynamic Tower, em Dubai, nos Emirados Árabes, declarando que este seria o primeiro prédio giratório do mundo.
  A propaganda de Fischer causou indignação na empresa paranaense. Segundo um dos dirigentes da Moro, que preferiu não se identificar, trata-se de uma jogada de marketing do americano para captar recursos. Coincidência ou não, o projeto do Dynamic Tower foi apresentado cerca de 90 dias depois da Spin Buildings, empresa constituída para comercializar a tecnologia giratória da Moro, apresentar o projeto do prédio brasileiro em Lafi Real Estates, nos Emirados Árabes.
  O arquiteto responsável pelo Suíte Vollard, Bruno de Franco, acredita que o americano se inspirou no seu projeto e diz ter dúvidas sobre a viabilidade da empreitada.
‘‘No plano virtual é uma coisa, papel aceita tudo, mas para mim arquitetura é obra feita’’, avalia. Para chegar até a tecnologia usada atualmente no edifício brasileiro foi preciso dez anos de pesquisa. Segundo um dirigente da empresa, este período foi previsto no projeto inicial, como um ‘‘período de maturação’’, até que os equipamentos utilizados no empreendimento pudessem ser reproduzidos em qualquer parte do mundo.
  Desde que foi inaugurado, o Suíte Vollard nunca foi habitado, exceto por poucas semanas como forma de testar suas acomodações. Este também foi o primeiro loft de Curitiba, seus apartamentos possuem 180 metros quadrados de área privativa (270 de área total) no formato de um disco que gira sobre um eixo central fixo, onde estão localizados a cozinha e o banheiro. O preço para venda gira em torno de 5 mil dólares por metro quadrado, cerca de U$ 1,35 milhão por unidade.
  Segundo De Franco, trata-se de um ‘edifício conceito’, que deverá atrair pessoas de um bom nível cultural e financeiro. ‘‘Não é prédio para família, não tem salão, piscina, essas coisas. Nossa proposta de lazer é o próprio apartamento’’, diz.

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