Curitiba - Há dez anos os curitibanos vêem, em meios aos prédios de classe alta do bairro Ecoville, uma construção redonda, com pouco mais de onze andares, que desde o início apresentava a promessa de que, quando pronto, poderia girar 360 graus, conforme a vontade de seu morador. Na noite de quinta-feira passada, o Grupo Moro finalmente fez o lançamento do tão esperado empreendimento.
Com o nome de Suíte Vollard, em homenagem ao pintor Pablo Picasso, o edifício é apresentado como o primeiro imóvel do mundo ''que proporciona ao seu morador uma rotatividade de 360 graus''. Com um apartamento por andar, o imóvel tem 11 apartamentos de 287 metros quadrados. Além de proporcionar visão de 360 graus, cada apartamento gira independente. A inovação e o inusitado da construção têm um preço salgado para a maioria - US$ 300 mil por apartamento.
De acordo com o diretor de marketing da Construtora Moro, João Carlos Peters, a demora na conclusão do imóvel não está relacionada a problemas de mercado ou dificuldades em fazer o prédio girar, como dizia-se pela cidade. ''A idéia era fazer uma obra de arte, um edifício que representasse um ícone do avanço tecnológico. Para isso, foi preciso muito trabalho de laboratório, pequisa de materiais, procura de fornecedores'', diz. ''Obras de arte não surgem da noite para o dia, e não poderia ser diferente com o Suíte Vollard, pois para atingir a perfeição é preciso de tempo'', ressalta o diretor do Grupo, Alcir Moro.
O prédio possui uma espécie de espinha dorsal em seu interior, que fica fixa e sustenta as demais. Nesse eixo central estão a cozinha, banheiro e lareira. Por ali passa também toda a tubulação de água, esgoto e gás. As dependências de serviços, churrasqueira, hall e elevadores encontram-se em uma unidade fixa lateral integrada à torre giratória.
As principais funções como o acendimento de luz, acionamento do ar condicionado, umidade do ar, temperatura, hora de início, tempo de duração, sentido e velocidade de rotação do apartamento são definidas pelo próprio usuário, por comando de voz ou controle a distância, na central elétrica da unidade. O giro do edifício pode ser imperceptível ou levemente percebido, dependendo da rotação. Na velocidade baixa, em uma hora o apartamento dá uma volta total.
A torre giratória abriga todo o restante do apartamento. Trata-se na verdade de um loft, já que não tem nenhuma repartição, ou de uma espécie de ''suíte presidencial'', como a Moro prefere denominar. Os lofts são circundados por varandas panorâmicas que dão acesso a todos os ambientes sociais e íntimos, através de portas de giro moduladas, instaladas a cada 90 graus.
Entre as unidades do prédio, uma estrutura metálica é ligada ao motor e gira como se fosse um CD. Segundo os construtores, o gasto de energia pode ser comparado a uma banheira de hidromassagem. Para evitar problemas elétricos, a fiação foi posta em trilhos de cobre que se movimentam com a estrutura metálica do apartamento. As tomadas estão todas no chão.

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