Cores e formas do histórico universo infantil. E conforto ambiental associado às necessidades funcionais para a prestação de serviços médicos. A proposta arquitetônica do edifício que abriga hoje o PAI-Pronto Atendimento Infantil de Londrina, buscou também - com a integração do novo espaço físico construído ao longo do eixo Leste-Oeste da cidade, antigo leito ferroviário - resgatar parte da história do município ao mesmo tempo em que rompe com o tradicional modelo brasileiro de construção hospitalar.
‘‘A estrutura de concreto modulada representa um eixo gerador do projeto; tem o papel de perfurar o edifício e integrar os dois serviços (pronto atendimento e laboratório), marcando seus acessos e simbolizando os trilhos e dormentes da ferrovia do passado’’, explica o arquiteto Nelson Schietti de Giácomo, autor do projeto. Mestre em Arquitetura Hospitalar pela Tulane University (New Orleans/EUA), Giácomo usou ainda a permeabilidade visual e o som da água como principais elementos para agregar qualidade espacial e conforto ambiental à funcionalidade técnica de atendimento.
‘‘A transparência permite a contemplação ao real e ao imaginário através das janelas; a luminosidade e ventilação vêm naturalmente através dos grandes vãos internos; o som e o movimento das águas em cascata e em lâminas, interligam espaços internos e externos, refletindo tranquilidade; harmonia volumétrica e cores e texturas em objetos pertencentes ao repertório da criança. Todos estes elementos foram usados com o objetivo de proporcionar espaços internos e externos muito mais convidativos e aconchegantes à população que busca especial atenção à sua saúde’’.
Paulo WolfgangO arquiteto Nelson Giacomo e a obra: ‘‘Humanização dos espaços é a contribuição direta da arquitetura no processo de recuperação do paciente’’‘‘Afinal, diz Giácomo, a proposta da arquitetura hospitalar é, senão resolver, pelo menos minimizar o desconforto gerado pela insegurança e angústia dos usuários em busca de atendimento médico’’. O arquiteto diz que a humanização dos espaços é a contribuição direta da arquitetura no processo de recuperação do paciente. ‘‘E para poder oferecer melhora para a qualidade de vida dos usuários destes serviços o projeto de construção precisa ser concebido através do trabalho integrado também entre os profissionais técnicos das áreas afins: da arquitetura, da engenharia civil e da saúde - médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais etc.’’
Como resultado, um edifício de dois pavimentos com 2.632 metros quadrados em área construída. O pavimento térreo é caracterizado pelo atendimento imediato ao usuário - recepção, consultórios médicos, salas de emergência, pré-consulta, curativos, pós-consulta, exames de raio X, vacinação, inalação, coleta e esterilização de material. O inferior, para observação mais prolongada do paciente - leitos para internação de no máximo seis horas e salas de pequenos procedimentos -, e serviços de apoio médico e logístico - posto de enfermagem, unidades de isolamento, salas para atendimento em psicologia, fonoaudiologia, serviço social e fisioterapia, exames, parte técnica do laboratório, farmácia, cozinha, lavanderia, almoxarifado e vestiários.
Executado pela Regional Planejamento e Construções, de Londrina, o edifício do PAI abriga ainda o CentroLab, laboratório de análises clínicas também ligado à rede municipal de saúde. Embora inseridos em uma mesma edificação, as unidades - atendimento infantil e laboratório - são independentes. Para isso foram criadas entradas diferentes.
O conflito de fluxo entre usuários do Pronto Atendimento também foi eliminado. O acesso de pacientes, familiares e público em geral é realizado pela entrada principal, através da Rua Benjamin Constant, e a saída, pela Rua Mato Grosso, via que possui menor fluxo de veículos em relação às outras que delimitam o terreno.

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