Preço de imóveis deve ter alta de 30%
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sábado, 24 de maio de 2003
Andréa Lombardo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O preço dos imóveis no Paraná deve aumentar entre 20% e 30% nos próximos meses. As construtoras já não estão conseguindo segurar os preços, principalmente, por conta das constantes altas no custo dos materiais como aço, cimento, vidro e alumínio. O aumento do custo com a mão-de-obra que representa cerca de metade dos custos para as construtoras também terá reflexo sobre o preço dos imóveis.
A maioria das construtoras já reajustou seus preços, segundo informou o presidente da Associação dos Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário no Paraná (Ademi-PR) e vice-presidente da área imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), Volmir Selig. Segundo ele, o preço de venda do metro quadrado subiu, em média, de R$ 900,00 para R$ 1 mil. A tendência é que continuem subindo e cheguem a R$ 1.100,00 e R$ 1.200,00 o metro quadrado. O custo para as construtoras, hoje, já chega a R$ 800,00 o metro quadrado.
Selig diz que até o ano passado, as construtoras tinham estoques de imóveis e, por essa razão, estavam conseguindo manter os preços. Agora, para repor o estoque será inevitável repassar aumento do custo dos materiais para o preço de venda. ''As altas nos custos dos materiais têm refletido pesadamente no CUB (Custo Unitário Básico)'', observou. Em abril, o CUB ficou em R$ 654,41, apresentando variação de 0,46% em relação a março (leia matéria nesta página).
Outro impacto no custo da construção civil será o reajuste dos salários da mão-de-obra a partir de junho. A categoria, segundo Selig, está pedindo a reposição da inflação medida pelo Índice Geral de Preços de Mercado (IGP-M), que foi em torno de 17% e mais 4% de reajuste real.
Para o diretor da Construtora LN, Luis Napoleão Filho, mesmo com os reajuste já repassados pelas construtoras, o preço ainda está muito longe do que era praticado, proporcionalmente, há oito anos. ''O valor cobrado era de 2,2 Cubs para imóveis de médio padrão'', diz ele. ''Hoje, o valor está em torno de 1,6 Cubs, o que significa que temos de repassar pelo menos mais 30%'', avaliou.
Napoleão Filho lembra, no entanto, que é o mercado que acaba ditando os preços e, por isso, sem demanda, não se consegue repassar os aumentos. A expectativa, segundo ele, é de que a oferta daqui para frente seja menor que a demanda por causa da queda de 48% na produção imobiliária, em Curitiba, no ano passado em comparação a 2001.
''Esse processo de reajuste de preços é inevitável para a segurança do mercado imobiliário da cidade'', opinou o diretor da Construtora Monarca, Seme Raad Filho. Para ele, sem um reajuste nos preços as construtoras não conseguirão repor seus estoques a médio e longo prazo de maneira segura e quem acabará perdendo será o cliente.
O diretor comercial da Construtora Hauer, Luis Afonso Muggiati, afirma que os valores devem ser reajustados até por uma questão de sobrevivência. ''Infelizmente, o mercado ainda tem a percepção de que a construção civil possui margens altíssimas de lucratividade'', disse. ''Mas a verdade é que a construção civil, assim como os demais setores da indústria, tem margens bastante pequenas e uma competitividade muito grande'', complementou.


