Modalidade de compra que já teve maior participação no mercado imobiliário na década de 80 e início dos anos 90, e foi responsável também pelo grande percentual dos condomínios verticais residenciais de alto padrão em Londrina, a construção a preço de custo volta a ganhar fôlego entre os investidores dos novos nichos e conceitos que impulsionaram o setor nestes últimos anos – flats, lofts e escritórios.
Construído com o conceito de residencial que também agrega alguns serviços e benefícios do flat, como lavanderia equipada, sala de ginástica e sauna, o edifício Laguna (Londrina) pode ser tomado como um desses exemplos. Com 84 unidades de um dormitório (em duas opções de distribuição interna) e área privativa de 55 metros quadrados (total de 89 m2), o residencial entregue pela Galmo Engenharia e Construção manteve grupo homogêneo de investidores desde o início das obras, em março de 1997.
‘‘Este é o principal quesito para o sucesso deste tipo de modalidade de compra e investimento imobiliário’’, argumenta Antônio Galindo Moreno, diretor da construtora que faz da modalidade construção a preço de custo a principal atividade da empresa. Há 22 anos operando com este sistema em condomínios residenciais e comerciais (65 mil m2 já entregues, totalizando 559 unidades, e outros 26,4 mil m2 em execução), o construtor diz que a coesão do grupo é que garante a agilidade na produção e, em consequência, menor tempo de espera do investidor para recuperar o capital empregado mês a mês. ‘‘Seja na forma de aluguel, venda ou para uso próprio como residência, lojas, escritórios e consultórios, no exercício de sua atividade profissional’’, completa Galindo.
‘‘É um sistema que permite que você poupe, mês a mês, e dentro de valores pré-estipulados pelo grupo e a construtora administradora da obra, para adquirir, a preço de custo, um bem de raiz. E o que é melhor, na entrega das chaves, você não deve nada a ninguém, tem seu imóvel totalmente quitado’’, comenta o juiz aposentado Nelson Batista Pereira, investidor convicto desta modalidade há quase 20 anos.
Residindo atualmente em Curitiba onde é secretário do Tribunal de Justiça do Paraná, o juiz que chegou a Londrina em 1957 para fazer os cursos clássico e o de técnico em contabilidade no Colégio Filadélfia, e depois graduou-se pela antiga Faculdade de Direito de Londrina, comprou uma das unidades do Laguna como investimento de moradia temporária. ‘‘Como é um apartamento pequeno, mas projetado com os benefícios de um flat, vou utilizá-lo para a minha permanência na cidade, onde volto constantemente para finais de semana e férias curtas, agora sem a necessidade de ficar em um hotel’’.
Segundo o juiz, que fez seu primeiro investimento neste segmento imobiliário há quase duas décadas – ‘‘e que me serviu de poupança para a compra de um outro maior, de 335 m2, onde morei por muitos anos’’ –, a construção a preço de custo, no Paraná, ‘‘é quase uma instituição de cidades como Londrina, Maringá e Cascavel, pois funciona muito bem entre grupos de pessoas e empresas construtoras conhecidas’’, diz Batista Pereira, ao comentar que está tentando ‘‘levar daqui (Londrina), para um grupo de advogados e juízes de Curitiba, o modelo aprimorado deste sistema, para que eu possa continuar investindo em imóveis, só que agora na capital’’.
Outros exemplos na cidade da manutenção deste tipo de modalidade de compra/venda: o EuroCenter, complexo comercial que está sendo construído pela Montosa Construtora, na Avenida Higienópolis (próximo ao Iate Club) e com grupo de condôminos que representa a totalidade (100%) das cotas vendidas; o Boulevard Center, empreendimento da Dinardi Engenharia Construções, totalmente sob o conceito flat, e também na Avenida Higienópolis (entre as ruas Pio XII e Tupy), com apenas seis, das 152 unidades, disponíveis à venda; e o Millenium, residencial também da Dinardi, lançado em outubro do ano passado como o primeiro empreendimento da cidade sob o conceito loft, e com início das obras ainda para este mês de maio já com 89% das 24 unidades vendidas.

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