Pré-moldado agiliza andamento da obra
Carolina Avansini e Redação
Especial para a Folha
Menor desperdício de material, espaços menores no canteiro de obra, maior rapidez e poluição sonora reduzida caracterizam a utilização de pré-fabricados de concreto na construção civil. A opção por esse tipo de produto ocasiona racionalização total do processo construtivo, pois as peças são totalmente produzidas na fábrica, reduzindo o trabalho na obra às etapas de montagem e acabamento. Todos esses aspectos tornam os pré moldados mais adequados, inclusive sob o ponto-de-vista da preservação ambiental possibilitam a realização de uma obra mais limpa, segura e rápida.
O arquiteto Marco Aurélio Palma Gôngora, gerente comercial da Weisberg Construções Pré-Fabricadas, de Rolândia, explica que a preocupação com a natureza se evidencia desde a utilização das formas metálicas em substituição às de madeira, evitando o desmatamento. Quando há necessidade de madeira, utilizamos material procedente de áreas de reflorestamento, para combater o desgaste desnecessário dos recursos naturais, afirma. Ele informa que o sistema agiliza o tempo da obra, possibilitando também a economia de energia elétrica.
Outro aspecto que colabora com a preservação ambiental é a redução do lixo produzido: a opção limita a produção de entulhos aos limites da fábrica, eliminando sujeira na obra. Na Ge-Sul Engenharia de Concreto, em Cambé, a ordem é reaproveitar ao máximo o lixo resultante do processo construtivo. Todo o entulho é utilizado na fabricação de outras peças, reduzindo o desperdício.
O segredo dos pré-fabricados é a repetição das peças. O processo só se torna competitivo se as fôrmas forem utilizadas para concretar várias peças. Quando produzimos armaduras, por exemplo, destinamos as pontas para a confecção de outros produtos. As fôrmas de madeira são reutilizadas ao máximo e algumas vezes optamos por fôrmas metálicas, que não se deterioram. Por isso o princípio deste sistema é, por si só, mais adequado ecologicamente, ressalta Cristiane Akemi Enokida, engenheira civil da Ge-Sul.
Em obras na área urbana, também evita aborrecimentos aos vizinhos. Nos edifícios muito altos, o sistema tradicional resulta em maior incidência de queda de material, respingos de cimento fresco e produção de poeira. Com os pré-fabricados, apenas a montagem e o acabamento das peças é feito no local, reduzindo esses inconvenientes.
No caso de obras feitas em regiões rurais ou de preservação ambiental, a necessidade de desmatamento fica limitada à área que será ocupada pela construção, reduzindo o espaço destinado ao canteiro de obras, armazenamento de equipamentos e material. A preservação de áreas verdes e mananciais também é maior, já que a produção de lixo é reduzida. Estes exemplos mostram como o uso de pré fabricados de concreto pode contribuir para manter a qualidade de vida na região da obra, acrescenta Sérgio Marchesi, diretor administrativo e financeiro da Munte Prefabricados.
Na fábrica da Munte, em Itapevi (SP), a quantidade de resíduos é muito pequena e reaproveitada quase por completo. Se alguma peça completa apresenta defeito visual e é recusada pelo controle de qualidade da empresa, é imediatamente doada à Prefeitura de Itapevi. O entulho da fábrica, quando não pode ser reaproveitado, também é doado. O solo do município é arenoso, fato que ocasiona muitos problemas de erosão em áreas desmatadas, explica o secretário de obras da cidade, Carlos Abe.
O entulho é usado em aterros e reforços de calçamentos, enquanto as lajes e pilares são usados como passarelas em córregos ou como cobertura de calçadas, acrescenta. Marchesi lembra que as peças doadas são estruturalmente perfeitas, apesar da imperfeição visual que ocasiona a recusa pelo controle de qualidade da Munte. No fim das contas, o que seria lixo acaba revertendo em benefício para a comunidade, conclui.





