Portinari no chão da sala
PUBLICAÇÃO
domingo, 29 de novembro de 1998
Da Redação 
Obras de Cândido Portinari estão recriadas ema uma nova coleção de tapetes que chega ao mercado brasileiro. As reproduções seguem fielmente as tonalidades de cores e traços assinados pelo mestre paulista que conquistou o mundo com sua criatividade.
A peça Meninos Nadando ilustra o tapete top de linha da coleção. Trata-se de uma série de produção limitada, confeccionada em tear que imita trabalho artesanal. Os outros modelos são baseados nas obras Carajás, Dança de Rodas, o Espantalho e Dom Quixote.
Para desenvolver o projeto, a Tabacow - fabricante dos tapetes - baseou-se em uma pesquisa feita pela Portinari Licenciamentos onde os entrevistados indicaram objetos que poderiam ser considerados arte. O tapete foi mencionado em dois momentos. Primeiro, cmo uma peça de arte ao lado de quadros, jóias e gravuras, e depois como o meio ideal para a reprodução desses artigos.
A coleção Portinari está sendo encarada como uma oportunidade para a Tabacow atingir novos mercados e conquistar clientes de classe alta que até então não eram atendidos. O público alvo são as pessoas que apreciam arte e procuram um produto de qualidade, explica Daniel Gallarreta, gerente geral da empresa.
Rigor técnico e fidelidade aos detalhes das obras são as principais características da coleção Portinari. Para chegar à versão final, as peças foram analisadas minuciosamente pela Portinari Licenciamentos. Uma equipe formada por desenhistas gráficos e especialistas em arte avalia se a estrutura e a caracterização da obra estão mantidas.
O tapete top de linha é baseado na obra Meninos Nadando, um painel de azulejos produzido pelo pintor em 1955. Inspirada no padrão e nas cores da azulejaria portuguesa, a obra o ajudou a obter reconhecimento internacional. O tapete é confeccionado em um tear que faz um trabalho detalhado - que imita o artesanal -, dando mais definição aos desenhos.
Outra opção é Dança de Rodas, inspirado no grafite feito por Portinari em 1955. Produzido em jacquard tem como diferencial o número de nós, mais fechados e densos. Com o desenho Carajás, Portinari retratou o homem brasileiro, sua cultura e tradição. A Tabacow idealizou três versões para a coleção. Utilizando tecnologia jacquard aveludado, os tapetes são confeccionados nas cores azul e marfim, respeitando todos os detalhes da obra original.
A série Carajás - produzida por Portinari em meados de 1956 - foi inspirada nos índios da tribo homônima. O desenho tem variações em giz de cera, guache e vitral, utilizando cores fortes, básicas e nativas.
O Espantalho, têmpera sem tela produzida pelo pintor em 1941 e que retrata a infância de Portinari, será fabricado em jacquard aveludado marfim. A obra original é um desenho onde são retratadas brincadeiras infantis como jogos de futebol, pipas, fogueiras e folguedos ao lado da figura enigmática do espantalho, retratando o contato com a natureza e a vida rural do interior de São Paulo.
Dom Quixote é baseado na obra Dom Quixote de Cócoras com Idéias Delirantes, uma série de 22 desenhos produzidos entre 1955 e 1956 e que ilustram o livro de Miguel de Cervantes na edição brasileira encomendada pela editora José Olympio. O tapete segue fielmente o trabalho executado com lápis de cor por Portinari com intenso cromatismo, onde predominam o amarelo e o azul.


