Porcelana ganha resistência e espaço
PUBLICAÇÃO
domingo, 17 de janeiro de 1999
Simone Mattos 
Aquela porcelana casca de ovo, decorada com filetes de ouro e estampada com motivos florais, que ficava na cristaleira da casa da vovó, está virando raridade. As peças estão se tornando cada vez mais resistentes, coloridas, arrojadas e práticas, passando a fazer parte do cotidiano das famílias.
Fábrica em Campo Largo: louça com espessura mais grossa feita para durar a vida inteiraHoje, elas vão ao forno microondas e à máquina de lavar louças, apresentando uma durabilidade maior que a cerâmica, afirma Edna de Matos Jitkuski, da Porcelar Distribuidora de Cerâmica e Porcelana, em Campo Largo, região de Curitiba.
Ela afirma que os jovens casais, que estão montando suas casas, querem coisas mais modernas. Há cerca de três anos começamos a acompanhar essas tendências, conta. Ela diz que hoje ainda há quem compre jarras com bacia ou porcelanas decoradas com ouro e prata, mas isso se torna cada vez mais raro.
As peças, que antes tinham em média dois milímetros de espessura, hoje chegam a alcançar cinco milímetros. Essas porcelanas duram a vida toda, desde que a pessoa não as deixe cair no chão, garante a comerciante.
Na produção atual, a funcionalidade se soprepõe à visão única da decoraçãoJoão Bertão, gerente de produção da fábrica de porcelanas Schimidt, uma das mais tradicionais da região de Campo Largo, afirma que as porcelanas invadiram o mercado, inclusive tomando o espaço dos vidros Duralex. As peças antigas, finas, eram usadas com a função de decoração, como obras de arte. Hoje, elas são resistentes, usadas diariamente.
Até alguns anos atrás, 80% da produção da fábrica representava peças finas e delicadas. Hoje, 60% já significam porcelanas mais grossas e práticas. Ele explica que, para produzir uma peça, leva-se em média 12 dias. O primeiro passo é uma mistura de várias matérias-primas, que resulta numa massa de porcelana, moldada mecanicamente.
Após o primeiro estampamento, feito de forma artesanal, acontece a primeira queima e um banho de verniz. Após a segunda queima, feita num forno aquecido a temperatura de 1350 graus centígrados, a peça adquire uma cor branca e vitrificada. A decoração final, ou colocação de decalques, é feita nessa etapa, que antecede à terceira queima. Quanto mais a peça for trabalhada, mais queimas sofrerá, resume o gerente.
Peças devem combinar entre si, mas sem nenhuma formalidadeO longo processo vale à pena, na opinião da arquiteta Elyana Garrido Joerke. Ela concorda com a afirmação de que as peças de porcelanas estão invadindo o cotidiano das casas. Está acabando a visão única de decoração. As pessoas estão cada vez mais buscando função para as peças.
Ela explica que a tendência é que as famílias morem em espaços cada vez menores. Por isso, elas querem viver intensamente suas casas, conta. As peças devem combinar entre si, mas sem nenhuma formalidade e com muita descontração, diz a arquiteta.
Para conseguir esse bom astral, ela sugere porcelanas em cores primárias, com frisos e barras amarelas, por exemplo, ou bolinhas coloridas. Há um forte resgate aos anos 30, onde as cores fortes e as figuras geométricas predominavam, ensina.
Serviço - - Porcelar Distribuidora de Cerâmica e Porcelana, (041) 292-1523; - Porcelana Schimidt: (041) 292-3049 ou 292-1224; - Elyana Garrido Joerke, Arquitetura: (041) 369-2192.


