O privilégio de adequar um apartamento às necessidades do cliente é um diferencial cada dia mais explorado pelas construtoras nos empreendimentos residenciais de alto padrão. Conhecido como sistema de plantas flexíveis, ele possibilita ao comprador definir o número e o tamanho dos cômodos a partir de alguns modelos oferecidos pelo vendedor.
Na área comercial, esse sistema é utilizado desde a década de 80 e, segundo Junker de Assis Grassioto, presidente do Sindicato da Indústria da Construção do Norte do Paraná (Sinduscon-Norte), hoje é quase imprescindível. ''Uma nova disposição dos móveis, a inclusão de computadores, a instalação de ar-condicionado e/ou a substituição de outros equipamentos são fáceis de realizar quando as paredes, piso e forro são removíveis. O importante é garantir a resistência do piso, para suportar as mudanças de carga, e dos pilares que sustentam a estrutura'', justificou o engenheiro civil e empresário do ramo.
As paredes internas do imóvel de planta flexível podem ser de drywall (mistura de papelão, metal ou madeira e gesso) ou mesmo de tijolos. Segundo a arquiteta, Letícia Eidam, da construtora Montosa, um exemplo de empreendimento totalmente flexível é o edifício comercial Eurocenter, entregue há um ano, no centro de Londrina. O forro dos 19 andares de escritório é composto de placas de fibra mineral (ideal na substituição de luminárias), o piso elevado de chapas de aço pode ser coberto por carpete, laminado de madeira ou cerâmica e a laje sem vigas é reforçada por cabos de aço internos, tensionados por um macaco hidráulico. ''Dependendo da escolha do cliente, esse sistema construtivo é mais caro e trabalhoso comparado ao tradicional. No entanto, ganhamos em satisfação e vendas. Em 12 meses, já comercializamos 60% dos escritórios que, para nós, é um resultado muito bom'', disse Letícia.
Após 30 anos vivendo no centro da cidade, a família do professor aposentado Ervino Nesello mudou-se para a região da Gleba Palhano (zona Sul de Londrina), há dois meses, em busca de tranquilidade. Para comprar o apartamento de, aproximadamente, 300 metros quadrados, Nesello vendeu dois sítios e investiu recursos de uma poupança de oito anos. ''Ainda não conseguimos colocar tudo em ordem, mas a vista que temos da sacada compensa todo esforço'', disse o morador do 21º andar, do edifício residencial Artigas.
No mesmo bairro, encontramos o técnico em telecomunicações André Luiz Piccinin, a mulher e um bebê. Há pouco mais de um ano, a família trocou de apartamento sem deixar a região. Segundo Piccinin, eles ganharam mais espaço e qualidade de vida. ''Vendemos o apartamento antigo e guardamos o dinheiro das férias. Com menos de 5% do valor do novo imóvel contratamos uma arquiteta que ajudou a personalizar nossa casa'', explicou com satisfação.
Outro morador da região, um executivo solteiro, que prefere não se identificar, adquiriu um apartamento de 275 metros quadrados. ''Gosto de espaço para receber meus amigos e ficar à vontade. Além disso, considero esta compra como um ótimo investimento'', completou o rapaz.

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