Da Redação
O paradigma que faz com que a alvenaria estrutural não seja usada em prédios altos está sendo quebrado em São José dos Pinhais, na maior obra do gênero na região metropolitana de Curitiba. Com 3.555 mil m2 de construção, o edifício residencial Porto Seguro tem oito pavimentos – dois a mais que o mais alto similar da capital paranaense – e está sendo levantado por uma construtora de Maringá.
‘‘A construção civil sempre busca técnicas construtivas mais econômicas e de qualidade garantida, e a alvenaria estrutural é hoje uma solução para a indústria’’, explica Vacerlei Cardoso Just, proprietário da Just Construções e Empreendimentos, empresa maringaense responsável pelo projeto e que decidiu investir no Sul por considerar muito promissora a região das indústrias automotivas, em São José do Pinhais.
Nessa técnica, as paredes são o elemento estrutural da construção, eliminando vigas e pilares, o que exige excelência dos blocos de concreto, que precisam ter produção industrial sob rigorosos ensaios normatizados. De acordo com a engenheira Christiane Mainardes, da Cimento Rio Branco (empresa que vem fazendo a difusão da tecnologia em todo o Sul do Brasil), ‘‘com essa técnica é possível construir casas e edifícios de vários pavimentos, uma vez que as paredes de alvenaria estrutural transferem todo o peso da obra para sua base’’.
Essa característica diminui também o prazo de execução. Uma construção neste sistema pode economizar até dois meses na entrega, se comparada a uma obra convencional, já que várias etapas podem ser executadas ao mesmo tempo. Ela permite, por exemplo, que as partes elétrica e hidráulica sejam instaladas junto com os blocos de concreto, ao contrário da técnica convencional, em que o acabamento só se realiza depois de prontos os pavimentos.
Além disso, o detalhamento cuidadoso e sistemático necessário em projetos de alvenaria reduz desperdícios nas instalações – como rasgos nas paredes e diminuição na espessura do revestimento – e portanto gera economia significativa no custo de produção. ‘‘Com a vantagem de ter tudo especificado. Pode-se quantificar com exatidão os materiais utilizados e programar a aquisição de materiais, reduzindo assim a necessidade de estoque’’, explica Christiane.
Pelas mesmas vantagens de custo menor e rapidez na entrega, a alvenaria estrutural é muito utilizada na construção de casas populares. A limitação de não poder retirar delas as paredes estruturais para ampliar os cômodos gerou um estigma que hoje está amenizado: no Estado de São Paulo, cerca de 75% das obras atualmente em execução utilizam a técnica, mesmo em empreendimentos de grande porte, como o Condomínio Residencial Chácara Primavera, em Jundiaí, a 50 km da capital paulista – são 16 edifícios de 12 pavimentos.
No Sul do país, essa utilização ainda é pequena – cerca de 5%, segundo o Sinduscon Paraná. Mas dados de um estudo divulgado pelo Conselho Federal de Engenharia e Arquitetura (Confea) animou a indústria da construção na região de Curitiba para o incremento na aplicação da alvenaria estrutural: as primeiras construtoras a experimentá-la mostram-se confiantes em conseguir obter a redução de custo de até 30%.

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