O clássico e o moderno convivem em harmonia nas salas e quartos expostos na 1ª Mostra de Arquitetura e Decoração (AD/PR), em Curitiba. O visitante pode se deparar tanto com móveis do estilo Luís XVI, quanto com um piano que toca sozinho.
Na Family Room, sala considerada pelos organizadores como um dos destaques da mostra, um piano meia-cauda Fritz Dobbert toca ‘‘Garota de Ipanema’’, de Tom Jobim e Vinícius de Moraes. Até aí, nenhuma novidade. A surpresa é que não há pianista. Um aparelho chamado piano-disc, acoplado ao teclado, faz com que as teclas toquem sozinhas, como num passe de mágica. Para o arquiteto Julio Pechman é importante resgatar o ar de família que os instrumentos musicais trazem. ‘‘É preciso voltar no tempo em que todos se reuniam em volta de um piano’’. Mas a pessoa que quiser ter um ‘‘pianista automático’’ em casa vai ter que preparar o bolso. O piano e o aparelho juntos não saem por menos de R$ 37,5 mil.
Na mesma sala convivem elementos da arte clássica e moderna. Esculturas de artistas plásticos brasileiros contemporâneos dividem a sala com peças de porcelana de sévres do século XIX. ‘‘Tudo é válido. O objetivo é agradar a gregos e troianos’’, diz Pechman. As paredes são pintadas de vinho e verde. ‘‘Chega de paredes brancas. As cores dão mais intimidade ao ambiente’’.
O branco também foi ‘‘banido’’ do living room, projetado pelos arquitetos Ana Balbinot e Jonathan Cardozo. As cores azul escura e bege cobrem as paredes da sala de estilo clássico. ‘‘As cores dão mais conforto e aconchego’’, diz Cardozo. Uma das paredes é coberta de veludo azul, que também combina com o chenile que reveste o sofá. Na sala, o aparelho de DVD convive com móveis estilo Luís XVI. O mármore travertino é usado na mesa de centro e no balcão que serve de base à lareira elétrica. O destaque da sala são as chamadas ‘‘sancas’’, criadas especialmente para o ambiente. São prateleiras de vidro embutidas nos quatro cantos do teto. Sobre as prateleiras são colocadas alfazemas perfumadas. ‘‘A idéia é aromatizar o ambiente e quebrar um pouco a homogeneidade do teto em gesso’’, afirma Cardozo.
Na hora de dormir, o conforto é garantido pela cama feita em couro sintético e com dossel. Na suíte do casal, projetada pelo arquiteto Maurício Pinheiro Lima, os tons terra conferem ao ambiente um ar mais íntimo e rústico. O piso é de mármore bruto, sem polimento e o tapete é de sisal. O ar rústico também é reforçado pela lâmina de rádica zebrana usada nos armários e mesas de cabeceira.
Outro destaque da suíte são os closets e os banheiros. O casal tem banheiros separados, que se interligam através das duchas e da banheira. A banheira é um ofurô artesanal, utilizada pelos japoneses, e que custa entre R$ 2 mil e R$ 10 mil. Para a arquiteta Ana Carolina Minguetti Graça, os banheiros separados servem para evitar brigas entre os casais. ‘‘Quem tem um espaço grande como esse, de 25 metros quadrados, pode adotar esse projeto’’, afirma Ana Carolina. Os closets, projetados por Marise Prosdócimo, também separam os pertences do marido e da mulher.
Serviço: A 1ª Mostra de Arquitetura e Decoração AD/PR pode ser visitada diariamente até o próximo dia 18, das 11 às 22 horas, na Rua Lúcio Rasera, 530, Condomínio Grunewald, no Champagnat, em Curitiba. Os ingressos custam R$ 10,00 e podem ser adquiridos no local.

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