Pesquisa quer aprimorar uso de argamassas
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sábado, 29 de maio de 2004
Stella Fontes<br> Agência Estado 
São Paulo - Os sistemas de revestimento em argamassa utilizados no País serão ''radiografados'' pelo Consórcio Setorial para Inovação em Tecnologia de Revestimentos de Argamassa (Consitra). O objetivo do consórcio, que terá duração de pelo menos três anos e orçamento anual de R$ 1 milhão, é desenvolver novas formulações do produto, estudar o comportamento da argamassa nas edificações, propor melhores práticas de aplicação e capacitar mão-de-obra.
Anualmente, cerca de 80 milhões de toneladas de argamassa são consumidos no País. Deste total, no máximo 5% correspondem às argamassas industrializadas, fornecidas por grandes, médios e pequenos fabricantes. Uma das iniciativas mais importantes do consórcio, na realidade, é reunir representantes da indústria de argamassas, de construtoras e do meio acadêmico em torno de um objetivo: reduzir ou eliminar falhas em fachadas e aumentar a vida útil do revestimento. É que, historicamente, fornecedores e construtoras não compartilham a mesma opinião quando o assunto é qualidade da argamassa.
''As industrializadas não apresentam problemas de conformidade. O problema geralmente está ou na aplicação ou na preparação da argamassa no canteiro de obra'', afirma o secretário-executivo da Associação Brasileira da Argamassa Industrializada (Abai), Carlos Cavini. Para ele, uma das principais tarefas do consórcio será entender como funcionam os novos sistemas de construção e o comportamento da argamassa nesses sistemas. ''Não adianta ter a melhor argamassa se a tecnologia não está correta'', explica. ''Um dos objetivos da pesquisa será justamente oferecer subsídio para a norma do produto, que está em revisão.''
Os outros 95% dos 80 milhões de toneladas de insumo consumidas por ano no País correspondem à mistura de cimento, areia, cal e aditivos, posteriormente empastados com água, no local da obra. Um dos riscos de preparação no canteiro, segundo Cavini, está na proporção incorreta entre os materiais. ''Muito cimento ou muita água podem interferir no bom desempenho da argamassa'', explica. Soma-se a isso a falta de controle em relação à procedência dos insumos misturados, cuja qualidade vai definir a capacidade de aderência e resistência da argamassa.
De olho nesse público, o consórcio já definiu um de seus primeiros produtos: um guia de boas práticas, que será entregue em breve às construtoras. A proposta do manual, segundo Cavini, é uniformizar a aplicação de revestimentos em argamassa. ''Cada construtora tem o seu método de aplicação. Se o método for uniformizado, será mais fácil evitar falhas'', explica. Mais adiante, o Consitra deve ir ao cerne dessa questão e formar projetistas, gerentes de produção e operários que estão envolvidos na produção de revestimentos de argamassa.


