São Paulo - As construtoras não têm sabido explorar a oportunidade de obter uma receita extra com a venda de seus empreendimentos - na maior parte dos casos, essa missão é delegada a terceiros. É o que diagnosticou um estudo feito em São Paulo que envolveu 2,1 mil entrevistados com rendimentos entre R$ 1,5 e R$ 4,5 mil mensais.
''As construtoras ainda não perceberam que vender diretamente para o futuro proprietário é um negócio interessante e que pode incrementar o seu caixa'', explica o diretor de negócios da InterScience, Cláudio Silveira. O executivo é o responsável por um estudo que identificou o número de pessoas da classe média que pretende comprar seu primeiro imóvel nos próximos dois anos.
Silveira explica que a pesquisa da InterScience identificou uma demanda latente por financiamentos diretos com as construtoras, com a condição de que que as empresas consigam alongar os prazos, uma vez que apenas 27% dos interessados em adquirir um imóvel podem parcelar a dívida no período de um a cinco anos.
O executivo vai mais além. Segundo ele, que se baseia em dados colhidos no levantamento, se além de alongar os financiamentos as construtoras também oferecessem um serviço de assessoria mais completo, absorveriam grande parte da demanda pelo primeiro imóvel, reprimida na classe média.
Silveira justifica a afirmação lembrando que a fase de comprovação de renda foi identificada no levantamento como um dos maiores dramas dos interessados em adquirir um imóvel. Embora 80% dos pesquisados disponham de todos os documentos necessários, 27% afirmam ter problemas nessa fase da compra.
Outro fator que saltou aos olhos é que 26% dos consultados disseram precisar de suporte externo para contrair um financiamento e 18% confirmaram que buscam assessoria no momento de acertar o pagamento da entrada. ''Aí está o espaço em que as construtoras poderiam atuar com serviço diferenciado'', reiterou.
Segundo o levantamento, o público que pretende comprar o primeiro imóvel nos próximos dois anos corresponde a 13% da classe média. A cidade de São Paulo, citada por 74% dos entrevistados, é a mais desejada e na região Sul está concentrada a maior parcela da intenção de compra (26%).
Entre as motivações que levam a classe média à compra do primeiro imóvel figuram a realização do sonho da casa própria (41%) e a intenção de fazer um investimento (32%). Há também os que desejam comprar uma casa com vistas ao casamento (10%).
A pesquisa da InterScience revelou ainda que 60% dos interessados em adquirir um imóvel procuram informações sobre os produtos nos jornais e outros 15%, em revistas. Apenas 54% procuram diretamente os canais de venda, e 41% dirigem-se a imobiliárias e apenas 13% negociam diretamente com as construtoras.

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