Análise de mercado que serve de parâmetro para as empresas de venda e administração em imóveis na hora da comercialização ou fechamentos de contratos de locação, a pesquisa realizada pela Delegacia Regional de Londrina do Sindicato da Habitação do Paraná funciona também como termômetro para investidores que precisam estar atentos e informados, sobre quais segmentos do setor estão mais ou menos aquecidos.
Divulgada na semana passada, a última pesquisa do Secovi para a cidade (referente ao primeiro trimestre do ano), mostrou a preferência do inquilino londrinense pelos apartamentos de três dormitórios, com área média de 127 metros quadrados, e valor de aluguel entre R$ 250,00 e R$ 350,00.
No mês de janeiro, os apartamentos deste tipo representaram 22% das ofertas residenciais do mercado de locação em Londrina – 244 apartamentos no total, com tamanhos variando de quitinete aos de quatro quartos. E melhor: das 55 unidades de três dormitórios ofertadas, 45% foram locadas dentro do próprio mês.
Outro importante sinal, bom para o investidor e nem tanto para o consumidor: em fevereiro, em função do giro rápido do mês anterior, os apartamentos de três quartos disponíveis para locação em Londrina estavam 2,86% mais caros. Mas a variação, ‘‘concedida’’ automaticamente pela lei da oferta e da procura, parece ter ajudado ainda mais ao mercado. Das 39 unidades ofertadas em fevereiro, 20 foram locadas.
Imbatível também em março – tanto no número de ofertas (19% do total) quanto no volume de negócios (43% da locação vertical) – o apartamento mais procurado pelo londrinense encontra concorrente à altura apenas na temporada de matrículas em universidades e faculdades, e em período de início de aulas em centros preparatórios para vestibular, ou bem depois disso.
‘‘Em fevereiro, os grandes trunfos dos negócios imobiliários passam a ser a quitinete e as unidades de um dormitório, principalmente os com localização estratégica para o estudante universitário. Já no final de março, quando os valores dos aluguéis dos apartamentos de três quartos voltam quase que para os mesmos índices de dezembro (anterior), a casa de alvenaria (também com três quartos), e conforme mostra a pesquisa, foi o segmento que ganhou maior volume de contratos’’, argumenta o presidente do Comitê de Avaliação de Imóveis do Secovi, José Carlos Delalibera.
Segundo os dados divulgados pelo Secovi Paraná, só em fevereiro foram alugados nove dos 13 apartamentos de um quarto colocados no mercado; e em março, todas as 17 unidades disponibilizadas para locação foram contratadas. Ou seja, 100% do estoque.
A pesquisa da Delegacia Regional Londrina aponta ainda outro interessante dado para o investidor que já vê com bons olhos o segmento das pequenas unidades – apartamentos de um dormitório, sofisticados como os flats, ou mais modestos como as quitinetes. Em função da grande procura, este tipo de imóvel teve seu preço médio reajustado, de fevereiro para março deste ano, em 27%. ‘‘E a tendência é que se mantenha ou aumente ainda mais o valor destes aluguéis’’, diz Delalibera.
A razão, segundo ele, é simples e óbvia: ‘‘Londrina não tem número de unidades suficientes em estoque para a procura sempre constante deste tipo de imóvel. O total disponibilizado para o mercado e estimado em 150 apartamentos é muito pequeno diante dos números apresentados, por exemplo, pelas universidades da cidade (UEL, Unopar e Cesulon) quando fazem referência aos seus quadros de docentes e alunos que têm residência fixa em outras cidades e buscam temporariamente um lugar para morar em Londrina no período letivo’’, diz Delalibera, ao enfatizar que ‘‘continua em aberto um grande nicho para o mercado imobiliário, tanto para o produtor, construtor como o investidor’’.

mockup