São Paulo Qual é o melhor revestimento para uma casa no litoral? E para um edifício no interior de Goiás? Como o concreto se deteriora em Palmas (TO)? E em Ribeirão Preto (SP)? Um projeto realizado por pesquisadores do Instituto de Tecnologia Aeronáutica (ITA), de São José dos Campos (SP), vai permitir que empreiteiros e projetistas saibam a resposta de perguntas como essas e possam escolher os materiais mais adequados para suas obras e prever a manutenção de construções privadas e públicas.
Coordenado pela engenheira Maryângela Geimba de Lima, o projeto Mapeamento dos Agentes de Degradação dos Materiais usa informações meteorológicas colhidas em todo o Brasil para mostrar como se comportam os materiais de construção conforme o clima de cada região. Resultados parciais da pesquisa já estão disponíveis, e os completos devem ser apresentados em março. Segundo ela, no Brasil quase não há informação sobre como as construções se degradam e o descaso com a manutenção de obras é geral, o que multiplica os custos. ''Se a intervenção só acontece quando a degradação já está avançada, não só a construção corre riscos, mas também seus usuários'', alerta.
Maryângela é doutora em engenharia pela Escola Politécnica da USP e professora do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Seu projeto é um estudo integrado ao Programa de Tecnologia de Habitação (Habitare) da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos do Ministério da Ciência e Tecnologia) e Caixa Econômica Federal, com complementação da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). Também conta com a participação do oceanógrafo Fabiano Morelli, estudante de pós-graduação do ITA. O investimento total até agora foi de R$ 193 mil.
Para se saber como os materiais se degradam em determinado clima, é preciso deixá-los expostos às intempéries e avaliar sua degradação ao longo do tempo. Segundo Maryângela, não há laboratórios de degradação desse tipo em todo o País, então a solução foi contar com os modelos matemáticos da degradação dos materiais e cruzá-los com bancos de dados meteorológicos, como o do Instituto de Proteção ao Vôo, que recebe informações de estações meteorológicas junto a pistas de pouso e bases aéreas de todo o País. Desse modo, mesmo sem contar com um laboratório de materiais no interior da Amazônia, é possível calcular como uma construção vai se degradar nessa região.
Os dados estão alimentando programas de geoprocessamento para traçar ''mapas de agressividade'', que mostram como diversos tipos de materiais se degradam em diferentes áreas do território brasileiro. Segundo Maryângela, os mapas são a forma mais eficiente de se transmitir a informação produzida pela pesquisa. Os resultados são públicos e devem estar disponíveis em março no site http://habitare.infra.ita.br Para Maryângela, não há no Brasil a preocupação com a degradação da construção civil: ''O morador só se preocupa quando vê como está feio o prédio onde mora e, às vezes, quando ele se dá conta a situação já é preocupante''.
Segundo ela, esse descuido é ainda pior para os prédios públicos há verbas para construção, mas raramente para manutenção. Ela alerta que a cidade de São Paulo é um ambiente altamente agressivo para a construção civil, devido à alta concentração de dióxido de carbono, que reage com compostos do concreto armado.

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