Pesquisa avalia habitações populares
PUBLICAÇÃO
sábado, 17 de fevereiro de 2001
Da Redação 
Um amplo estudo sobre os conjuntos habitacionais populares construídos pela Cohab em Londrina revela que a grande maioria dos mutuários é obrigada a conviver com infiltrações, goteiras, afundamento de pisos e muitos outros defeitos, chamados vícios de construção. Diante do problema, difícil mesmo é conseguir encontrar alguém que assuma a responsabilidade. O seguro obrigatório proposto pelo agente financiador não cobre vícios de construção e as construtoras, por sua vez, acabam responsabilizando o próprio mutuário pelos defeitos, alegando que os problemas decorrem das ampliações realizadas depois da ocupação do imóvel.
As conclusões fazem parte de uma pesquisa que baseia a dissertação de mestrado do engenheiro civil Paulo Lopes, defendida no início de fevereiro na Universidade de São Paulo. O trabalho obteve aprovação, com distinção e louvor e ainda recomendação para publicação em artigos de revistas científicas.
A pesquisa trata da Avaliação Pós-Ocupação (APO) dos conjuntos habitacionais populares, que tiveram como agente promotor a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Lda), produzidos no final da década de 70 e início da década de 80 época esta, que representa o início do apogeu das construções promovidas pela Cohab-Lda.
Os conjuntos habitacionais construídos pela Cohab-Lda representam 84,19% do total de moradias promovidas pelo poder público, entre 1969 e 1997, no município. O trabalho de Paulo Lopes realiza uma avaliação técnica e de satisfação do usuário voltada ao sistema construtivo, com ênfase nos aspectos de uso, manutenção preventiva e corretiva, incluindo custos de reparos e de manutenções. Pretende diagnosticar, em especial, o nível de satisfação dos moradores em relação às habitações. Levanta os problemas técnico-construtivos existentes, localização, origem e os custos dos mesmos; e realiza cruzamentos entre os vários resultados obtidos, visando dar base para conclusões e recomendações que poderão ser úteis a construtores, agentes promotores, agentes financiadores, acadêmicos e pesquisadores, em projetos similares.
O trabalho trata da problemática que envolve agentes financeiros, construtores e seguradoras em relação às habitações populares. As habitações são financiadas por 20 ou 25 anos, porém, apresentam inúmeros problemas construtivos num curto espaço de tempo. A dissertação apresenta as causas dos problemas (com embasamento científico) e algumas soluções/sugestões para reverter este quadro.
Um dos principais motivos de insatisfação dos moradores, segundo a pesquisa, são os problemas considerados como vícios de construção (baixa qualidade dos materiais empregados na obra ou técnicas de construção inadequadas) e que se refletem em selamento/empenamento do telhado, goteiras, infiltrações, trincas e rachaduras, afundamento de pisos e infiltração de umidade das paredes. Esse tipo de problema não tem cobertura dentro dos planos do seguro obrigatório proposto pelo agente financiador, que é pago pelo mutuário junto com a prestação da casa.
Nesse caso, o agente financiador se isenta de qualquer responsabilidade e o problema passa a ser então da empresa construtora que, na grande maioria das vezes, não faz os reparos necessários alegando que o morador fez ampliações ou alterações na construção e isso ocasionou os defeitos.
No entanto, a pesquisa desenvolvida pelo engenheiro Paulo Lopes mostra que as casas ampliadas apresentam os mesmos problemas das originais, evidenciando que a maioria dos problemas decorrem dos vícios de construção. Segundo Lopes, isso ocorre porque as construtoras responsáveis pelas obras não seguem a risca o memorial descritivo das construções. A solução, segundo o engenheiro, passa por uma fiscalização mais efetiva das obras pelos agentes promotores e financiadores responsáveis.
Enquanto isso não acontece, a única saída encontrada pelos mutuários para tentarem diminuir o prejuízo é via judicial. Em Londrina, tramitam mais de 500 processos de mutuários contra a Cohab, Caixa Econômica e construtoras.
O engenheiro Paulo Lopes é professor do Cesulon e da Unopar (Universidade Norte do Paraná) e vice - presidente do Clube de Engenharia e Arquitetura de Londrina (Ceal). O trabalho é composto de 464 páginas, 139 fotos, 84 figuras, 12 tabelas, orçamentos, análises e recomendações. Mais informações pelos fones: 43/325-4418 e 9995-4418.


