Curitiba - Empresários da construção civil no Paraná estão otimistas, mas ao mesmo tempo apreensivos com as perspectivas para este ano no mercado imobiliário. O crescimento nas vendas de imóveis a partir do segundo semestre do ano passado, como opção de investimento frente à instabilidade econômica do País, deu novo ânimo para as construtoras, que acabaram com seus estoques e já se preparam para novos lançamentos. A preocupação, no entanto, é que o mercado volte a ficar saturado com a avalanche de empreendimentos que devem começar a ser ofertados a partir do mês de abril.
O presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário do Paraná (Ademi-PR) e vice-presidente da área Imobiliária do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Paraná (Sinduscon-PR), Volmir Selig, lembra que muitos projetos aprovados pela Prefeitura de Curitiba terão que começar a sair do papel até o início de abril. A nova legislação de zoneamento urbano da Capital estabelece prazo para que as empresas comecem a construir, sob o risco de perder o alvará. Para muitos empreendimentos, segundo Selig, a data limite é 3 de abril.
Além da possível saturação do mercado, Selig diz que a preocupação do setor imobiliário é também quanto à indefinição de políticas habitacionais por parte dos novos governantes. ''Lula (o presidente Luiz Inácio Lula da Siva, do PT) e Requião (o governador Roberto Requião, do PMDB) falaram muito em habitação popular, mas a impressão é que já esqueceram as promessas de campanha'', alfineta.
Selig avalia que o déficit habitacional cerca de 6,6 milhões de unidades no País só tende a piorar e a agravar os problemas sociais se o governo não investir no setor. De acordo com estimativa do Sindicato da Indústria da Construção Civil do Rio de Janeiro, seriam necessários investimentos da ordem de R$ 15 bilhões por ano, nos próximos quatro anos, para resolver o problema da falta de moradia no Brasil.
Para Selig, a construção civil, além de contribuir para a redução desse déficit, tem um papel de extrema importância para as propostas governamentais de geração de emprego. ''A geração de emprego passa pela construção civil, pois é a atividade que mais gera postos de trabalho. É a porta de entrada do trabalhador no mercado profissional'', acrescenta.
Uma das bandeiras empunhadas há anos pelo setor imobiliário, lembra Selig, é a criação de um Ministério da Habitação para definir as políticas e centralizar as ações. ''Até agora o governo só anunciou a criação do Ministério dos Transportes'', lamenta. Selig defende a criação de, pelo menos, uma comissão de estudos para estabelecer diretrizes para a habitação.

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