Pequenas mudanças de grandes efeitos
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de setembro de 1998
Silvana Leão 
Chega uma hora que a decoração da casa, por mais agradável que seja, acaba cansando os olhos de quem a vê diariamente. Aí então é hora de mudar. Mas se a idéia é renovar os ambientes gastando pouco, sem precisar investir nova fortuna em mobiliário e obras de arte, o melhor caminho são as interferências simples capazes de gerar grandes efeitos.
Para o arquiteto Álvaro Cortes, de Londrina há inúmeras possibilidades para que as pessoas não se tornem reféns da própria moradia. Ele lembra que as famílias de uma casa (família dos estofados, família dos objetos de decoração, e assim por diante) estão em constante modificação, e é importante estar sempre promovendo a atualização dos materiais.
Entre as sugestões do arquiteto estão a mudança de cores no mobiliário, a pintura de portas (que podem se tornar elementos de interação, e não somente de vedação de ambientes) e as alterações nas composições dos revestimentos, como por exemplo a substituição dos tecidos dos estofados. Álvaro observa que quem está vivendo em determinado ambiente pode até sentir que alguma mudança se faz necessária, mas na maioria das vezes não sabe exatamente o quê, e nem tem noção de todas as possibilidades existentes no mercado. Por isso é importante a presença de um profissional, afirma.
O arquiteto, que defende a constante mudança de cenário, inclusive no seu próprio ambiente de trabalho (ele costuma dizer que o escritório é o seu laboratório), ensina que existem recursos bastante eficientes. Em se tratando de banheiros, por exemplo, uma boa opção é aumentar a área espelhada. Se o espelho toma o espaço correspondente à bancada, apenas, ele pode ser estendido até o box. Colocar um espelho vertical, de corpo todo, na área disponível entre a bancada e o porta-toalhas, é outra alternativa interessante.
Ainda nos banheiros, Álvaro Cortes lembra que é possível a substituição de alguns itens de acabamento, como novos puxadores, placas de lâmina diferenciada nas gavetas da bancada e até a aplicação de fórmica sobre os azulejos, um recurso capaz de mudar totalmente o visual. Existem profissionais especializados neste tipo de trabalho hoje em dia.
Aplicar jato de areia sobre o vidro do box para torná-lo fosco, mudar as roupas de banho, utilizando cores neutras que interfiram o menos possível no resto da decoração e fazer uma iluminação diferenciada, instalando, por exemplo, uma luminária de pequeno porte pendente sobre a bancada, são mais algumas soluções simples que ajudam a mudar a cara do banheiro.
Já nas áreas de lazer, como varandas e jardins, o arquiteto explica que a utilização de elementos naturais é sempre muito agradável, mas - ressalta - existem outros materiais mais urbanos capazes de fornecer dinamismo, versatilidade e até mais alegria a estes ambientes. Ele sugere, por exemplo, a inclusão de detalhes em alumínio, vãos de vidro, ventiladores de design moderno e mobiliário que utilize materiais como tela, fibra sintética colorida, alumínio e policarbonato.
Outra interferência simples porém de efeito muito agradável é a substituição de áreas externas revestidas por seixo rolado (pedrinha de rio), argila expandida ou granito moído (mais indicado para áreas de passeio, pois cria uma textura toda especial).
A escolha das cores neste tipo de ambiente é fundamental. Álvaro explica por quê: Nossos jardins têm muito verde, então esta cor, quando usada, deve puxar para os tons do cinza ou azul. Utilizar cores muito presentes na natureza é repetir informação. Como exemplo, ele cita o projeto de uma varanda que foi revitalizada a partir de algumas mudanças de efeito, como a pintura com tinta acrílica das janelas e paredes - antes em tijolo à vista - e a colocação de pastilhas vermelhas e azuis no balcão e nas floreiras das janelas.
A nova varanda também teve sua área ampliada com uma faixa de piso de deck de madeira, e os pilares ganharam uma faixa de corda de cisal, sobre a qual foi instalado um ponto de luz. Como acabamento, Álvaro usou duas molduras, também nas cores vermelho e marinho. A idéia foi criar um ambiente de pier, revela. Outro recurso utilizado por ele foi pontilhar o piso (de forma sequencial) com algumas unidades de material diferente do já existente. Nas áreas próximas ao jardim, optou por uma composição entre áreas pavimentadas e não pavimentadas (grama).


