Peças podem ser práticas, mas beleza é fundamental
Antigamente o enxoval era o dote mais precioso de uma moça. Quanto maior e de melhor qualidade mais status tinha a donzela que buscava um marido. Ele simbolizava a sofisticação do preparo da dama para as artes da casa (saber bordar com maestria era indispensável) e o poder econômico da família.
Ter um enxoval era dispendioso. O linho era caríssiomo e o trabalho das bordadeiras e tecelões também tinham um custo expressivo. Apenas uma pequena parte das peças era feita pela moça. A família precisava realmente ter recursos para adquirir as peças mais finas de linho.
Às peças bordadas por quem ia casar, somavam-se ainda peças dos enxovais da mãe e das avós como um tributo para reforçar a origem fina da donzela. Naquela época, o enxoval tinha de ser realmente pródigo, não só na beleza das peças mas também na quantidade.
Um enxoval decente ou de bom tom precisava ter 12 conjuntos de tudo: 12 jogos de lençóis de casal; 24 lençóis avulsos (brancos, bege ou cru); etc.
A situação mudou por volta de 1860, quando o ritmo moderno começou a tomar conta da vida das pessoas (pós Primeira Guerra). Surgiram então os primeiros enxovais produzidos em larga escala e vendidos por catálogo. Mais simples e mais práticas, as peças eram feitas em algodão que chegava dos Estados Unidos por valores muito menores do que o linho. Era a democratização do capitalismo.
Após a Segunda Guerra o enxoval passou a ser definitivamente um supérfluo e ganhou ares de inimigo da mulher moderna e feminista por simbolizar as características da feminilidade, delicadeza e submissão da mulher. É importante acentuar que o antigo conceito do enxoval desapareceu também por pressão do processo de industrialização que já começava então a propaganda de que o desenvolvimento estava atrelado a produtos pronta-entrega, bons mas descartáveis. (C.B.)





