Paredes se transformam em canteiros
Célia Baroni
De Londrina
As paredes externas e muros ganharam um novo papel. Imitando a natureza que faz das árvores também apoios para outras espécies de plantas, a parede se tornou uma alternativa a mais para quem deseja ampliar seu jardim ou não tem espaço para cultivar plantas. Há uma infinidade de de espécies aéreas ou não que se adaptam ao jardim de parede. A composição vai depender do que o usuário deseja, anima o paisagista e engenheiro agrônomo Ricardo Armando de Oliveira.
Ele explica que o jardim de parede costumava ser um complemento do projeto paisagístico de um jardim e tinha como principal objetivo complementar um canto ou todo o espaço de verde, reforçando a idéia de aconchego. Com a redução dos espaços, diz, não raramente, o jardim de parede se transforma no único recurso para quem quer ter um canto verde e um número maior de plantas.
O muro é um apoio tão interessante para as plantas que até os de corredores podem ser aproveitados para a montagem de um jardim suspenso, desde que escolhidas as plantas adequadas. Escolhendo bem as espécies e fazendo uma boa composição, diz, ter um jardim de parede é fácil, bonito e altamente gratificante.
O paisagista, explica que a luminosidade e a incidência do sol devem direcionar a escolha das espécies. Mas o primeiro passo é definir o que se deseja do jardim. Entre outras alternativas, ele cita a possibilidade de optar por cobrir a parede com vários quadros grandes e pequenos com plantas variadas (cada quadro formando uma composição diferente) ou jogar com espaços limpos e tufos de plantas espalhados geometricamente ou não.
A escolha não é fácil. É preciso definir também se a meta é privilegiar plantas com flores ou trabalhar apenas com folhagens de vários tipos. Apesar das flores serem lindas, a variedade de texturas e formatos das folhas das plantas também são ótimos para trabalhar um jardim de parede, afirma.
Para Oliveira, quando a escolha é cobrir a parede formando um único quadro, o ideal é repetir o padrão da natureza que, em um pano de fundo verde, espalha pequenas ilhas de flores de cores vivas.
Mas quando o assunto é flores, avisa, não basta querer. Sem luminosidade não há flores. Logo, se a parede fica na sombra a maior parte do tempo só há duas opções: desista das flores e se contente com um jardim suspenso em várias tonalidades de folhagens ou coloque vasos sazonais (com flores que duram um curto período) e troque periodicamente.
Como o jardim de chão, o de parede também exige um planejamento, de preferência feito com o auxílio de um profissional. É preciso escolher as plantas certas, saber quanto espaço elas vão ocupar quando estiverem adultas e a distribuição precisa obedecer critérios plásticos para o resultado final ser agradável, afirma.
Em qualquer jardim, a melhor opção é sempre a escolha de espécies perenes (com ou sem flores). Elas mantém o jardim lindo o ano inteiro e dão menos trabalho, afirma o paisagista Ricardo Oliveira. Outra sugestão interessante para quem quer ter sempre flores é o escalonamento escolha de espécies que florescem em épocas diferentes e que, por isto, fazem uma espécie de revezamento.
Entre as espécies com ótima adaptação ao plantio suspenso estão o ripsalis, os filodendros, chifres de veado, bromélias, orquídeas, algumas espécies de cactáceas e suculentas.Espalhadas de forma geométrica, as folhagens e flores dos jardins suspensos dão vida às paredes, alegrando e trazendo aconchego aos ambientes
ReproduçãoPLANEJAMENTOA ajuda de um profissional é importante para escolher as plantas certas, saber quanto espaço elas vão ocupar e fazer a distribuição harmônica dos vasos para que o resultado final seja agradávelPaulo WolfgangAs espécies perenes (com ou sem flores) são a melhor opção porque mantêm o jardim lindo o ano inteiro e dão menos trabalhoProjeto do paisagista Ricardo Armando de Oliveira: luminosidade e incidência do sol devem direcionar a escolha das espécies





